Entre os expositores, o Mestre André da Marinheira e sua filha Natália representam uma bela história de sucessão familiar no artesanato. O mestre, que carrega consigo a tradição de sua família ao trabalhar com escultura em madeira desde os 12 anos, agora vê a herdeira adaptar essa arte ancestral em peças contemporâneas, como colares e pingentes. Ambos enfatizam a oportunidade que a feira proporciona para conectar-se com outros artesãos e com o público, criando um ambiente de inspiração e aprendizado.
O deputado estadual Alexandre Ayres, presente no evento, ressaltou a importância de resgatar e valorizar a cultura local, alertando para os riscos da modernidade sobre as tradições. O evento serve como um catalisador, reunindo diferentes manifestações artísticas e reforçando a identidade cultural alagoana.
Dentre os destaques, a arte de Aline Caju e Andréia Bordados exemplifica como o artesanato pode transformar vidas. Ambas equilibram o trabalho rural com suas expressões artísticas, encontrando na criação uma forma de liberdade. Aline, por exemplo, afirmou que a escultura a ajudou a cuidar de seu filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA), enquanto Andréia compartilha seu conhecimento com as gerações mais novas de sua família.
Rôndone Ferreira Santos, professor e artista, complementa a discussão apontando a importância da transmissão de saberes para a inclusão social, principalmente entre os jovens de comunidades vulneráveis. Seu projeto de aulas gratuitas para adolescentes e idosos visa não apenas preservar a cultura dos povos originários, mas também incentivar a expressão artística como uma alternativa de vida.
Assim, a Feira dos Municípios Alagoanos não é apenas um espaço de comercialização, mas um vital encontro cultural que assegura a permanência e a valorização das tradições alagoanas frente às diversas mudanças contemporâneas.
