O projeto começou após a participação de Maria em um projeto chamado “Os Encantos da Caatinga”, onde os personagens eram inspirados na rica cultura alagoana. Durante a criação do material, a estudante se deparou com a escassez de informações sobre Carrascosa, que energicamente inspirou a personagem Cacá. “Quase não havia dados sobre ela. Sabíamos que era uma mestra apaixonada pelo Pastoril, mas não havia fotos disponíveis. Após um intenso trabalho de pesquisa, encontramos uma imagem em um folheto produzido durante uma homenagem pela Ufal”, relata.
A pesquisa revelou que Carrascosa coordenava os ensaios do Grupo de Tradições Folclóricas Professor Théo Brandão, na Ufal, desde a década de 1970, mesmo enfrentando problemas de visão. O fato de ela identificar falhas de execução apenas pelo som dos passos e cantos das pastorinhas impressionou a estudante, levando-a a aprofundar sua curiosidade em uma pesquisa mais rigorosa.
Sob a orientação da professora Janayna Ávila, Maria optou por uma abordagem de Jornalismo Cultural, buscando desvendar as razões de um legado cultural tão significativo estar obscurecido. Ao longo de meses, enfrentou desafios consideráveis, especialmente a falta de documentação. Em entrevistas com especialistas e ex-alunos, esclareceu partes da história, mas o verdadeiro marco ocorreu ao conseguir acessar um documento pessoal de Carrascosa, através de sua família, que ofereceu insights valiosos.
O Acervo Imagético da Ufal também se tornou um recurso essencial, possibilitando a localização de fotografias históricas e registros de eventos que Carrascosa organizou. O trabalho de Maria não só recuperou a identidade de uma educadora apaixonada e inovadora, mas também ressaltou a importância da preservação da cultura popular.
Esse esforço culminou em uma reportagem que destaca como Carrascosa levou o Pastoril alagoano além das fronteiras, mostrando a relevância cultural de Alagoas. Com essa pesquisa, Maria Villanova não apenas fez justiça a uma história negligenciada, mas também reafirmou o papel do jornalismo na preservação da memória coletiva e na construção da identidade cultural, considerando que cada narrativa contada contribui para entender quem somos.





