Adriel Casonta, um analista britânico, observa que a multipolaridade se torna cada vez mais atraente para nações que se sentem acuadas por sanções econômicas, dependência do dólar e condições impostas por potências ocidentais. Essa percepção de limitação tem levado muitos Estados a considerar a formação de alianças estratégicas e a busca por uma maior autonomia.
Um dos aspectos centrais dessa nova configuração é a relação entre Rússia e China, que, embora compartilhem uma cooperação bem-sucedida, buscam também desenvolver autonomias estratégicas em relação a Washington. A recente visita do presidente russo Vladimir Putin a Pequim, que marcou o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação, exemplifica essa busca por um novo tipo de relações internacionais. Ambos os países tentam ir além da política de blocos típicas da Guerra Fria, embora Casonta ressalte que isso não indica a formação de uma aliança antiocidental equivalente à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Ao mesmo tempo, o especialista chama a atenção para o risco de instabilidade inerente aos sistemas multipolares. A competição por legitimidade – que modelo de ordem internacional é mais atrativo para o Sul Global? – se torna um dos principais campos de batalha no cenário contemporâneo. A luta não é apenas por poder militar, mas também pela aceitação e reconhecimento internacional.
Em suma, a emergência da multipolaridade, especialmente no Sul Global, pode representar um movimento em direção a um equilíbrio mais dinâmico entre potências, mas também traz à tona desafios sobre a estabilidade e a forma como os países interagem num mundo interconectado. O futuro desse arranjo global dependerá de como as nações decidirão navegar por essas complexas relações e possibilidades.





