Multidão Celebra São Jorge com Drones e Tradições em Quintino, Rio de Janeiro

Hoje, a Igreja Matriz de São Jorge, localizada em Quintino, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deverá receber um público massivo, estimando-se que mais de 1,5 milhões de fiéis passem pelo local para comemorar o Dia de São Jorge, celebrado anualmente em 23 de abril. A paróquia, que se baseou em dados do ano anterior, prevê a realização de uma série de atividades religiosas, incluindo dez missas que atrairão uma multidão ansiosa por reverenciar o santo. Uma atração especial para este ano será a exibição de 300 drones que formarão a icônica imagem de São Jorge enfrentando um dragão, um detalhe que promete emocionar os presentes.

A festividade não se limita apenas à Igreja Matriz, mas se estende a diversos templos e capelas do santo, além de botecos, esquinas, quadras de escolas de samba e terreiros de religiões afro-brasileiras, colorindo a cidade em vermelho. A profunda conexão do Rio de Janeiro com São Jorge reflete uma tradição rica, que remonta a mais de 1.700 anos, quando o santo viveu na Capadócia, atual Turquia. Historicamente, a devoção ao santo se fortaleceu no Brasil, especialmente entre os cariocas, através da influência da cultura portuguesa.

Historadores, como Luiz Antonio Simas, argumentam que a popularidade de São Jorge no subúrbio carioca tem raízes na combinação da devoção portuguesa e na narrativa local. Ele menciona que a imagem do santo, uma vez uma figura central nos botequins dominados por imigrantes portugueses no início do século XX, tornou-se um emblema da identidade cultural da região. Este fervor religioso é palpável em locais como o Butiquim do Tuninho, que é gerenciado por Fábio Loio da Costa, descendente de portugueses que mantêm a tradição viva ao oferecer feijoadas em agradecimento a São Jorge.

A relação do santo com as feijoadas não é mera coincidência, mas sim resultado do sincretismo religioso, onde São Jorge é frequentemente associado a Ogum, uma divindade das religiões afro-brasileiras. Em meio à efervescência do samba, o santo é reconhecido como padroeiro de várias escolas de samba e, a cada 23 de abril, muitos apostadores no jogo do bicho também reverenciam São Jorge, direcionando suas apostas ao cavalo, sua inseparável montaria.

A devoção ao santo cresceu também em resposta a realidades sociais e urbanas complexas, como a violência, visto que muitos cariocas buscam em São Jorge proteção e esperança diante das dificuldades do cotidiano. Desde 2001, o dia dedicado ao santo é feriado na capital fluminense, reafirmando sua importância cultural e espiritual na vida dos habitantes do Rio de Janeiro.

Sair da versão mobile