Mulheres se tornam protagonistas no tráfico de armas no Rio, com 76% das prisões em rodoviárias sendo de jovens envolvidas no crime organizado.

Uma recente ocorrência na Rodoviária do Rio de Janeiro veio à tona, revelando a intrincada dinâmica do tráfico de armas e a crescente participação feminina nesse contexto. No ano passado, uma mulher, identificada apenas como vinda da Bahia, chamou a atenção de agentes do Batalhão de Polícia de Turismo (BPTur) enquanto carregava duas malas. Durante a abordagem, os policiais descobriram um fuzil e dois carregadores escondidos entre seus pertences. A mulher afirmou que seu destino era a Rocinha, uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho.

Este episódio é emblemático de uma estratégia conhecida como “tráfico de formiguinha”, onde armamentos são fracionados e frequentemente transportados por mulheres, que são menos suspeitas aos olhos das autoridades. Dados revelam que, no último ano, o BPTur ficou envolvido em dez casos de transporte ilegal de armas na Rodoviária, com sete prisões de mulheres. Quando considerados outros tipos de tráfico, as ocorrências somam 41, com 76% dos detidos sendo mulheres.

Uma pesquisa conduzida por uma especialista em Direito Penal traçou um perfil das mulheres envolvidas: a maioria tem entre 18 e 24 anos e, muitas vezes, conta com a escolaridade incompleta. O recrutamento para esses grupos armados é geralmente feito com a promessa de ganhos financeiros imediatos, variando de R$ 1.000 a R$ 2.000.

Outro caso recente destaca a utilização de mulheres em operações maiores. Em novembro do ano passado, uma abordagem a um ônibus resultou na descoberta de 30 pistolas calibre 9 mm, transportadas por Gilmara Barbosa dos Reis Assis, de 27 anos, que confessou ter recebido R$ 2.000 para realizar o transporte.

Contudo, a atuação feminina não se limita ao transporte. Mulheres também têm ocupado funções estratégicas no tráfico, como a intermediação de negócios. Um exemplo é o caso de Ana Lúcia Ferreira, uma mulher de 41 anos, que atuava como intermediária em negociações de armas e drogas, aproveitando sua experiência em fechar acordos com criminosos na fronteira com o Paraguai. Sua notoriedade entre os traficantes a tornou essencial nas transações de maior porte.

Esses casos desafiam a percepção tradicional sobre o papel da mulher no crime organizado, mostrando que elas não são apenas transportadoras, mas muitas vezes, desempenham papéis cruciais na logística e no comando de operações criminosas. A crescente participação feminina nos crimes de tráfico de armas e drogas ressalta a complexidade e a adaptabilidade das facções criminosas em buscar novas estratégias para driblar a fiscalização e expandir suas atividades ilícitas.

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