Mulheres de Fibra: Artesãs de Maragogi Transformam Desperdício em Empreendedorismo Sustentável e Inspiração

Localizada a apenas 120 km de Maceió, Maragogi é considerada um dos mais belos destinos turísticos do Brasil, atraindo visitantes pelo seu mar cristalino e suas deslumbrantes piscinas naturais. Porém, além das paisagens de tirar o fôlego, a cidade revela um aspecto inovador que vem tomando forma: o empreendedorismo social, que ganha força especialmente entre as mulheres de assentamentos rurais. Essas mulheres, conhecidas como “Mulheres de Fibra”, transformam a fibra do pseudocaule da bananeira — uma parte da planta antes desprezada — em matéria-prima. Com ela, produzem artesanato e, ao mesmo tempo, constroem autonomia financeira.

A trajetória desse grupo começou em 2009, quando um pequeno grupo de agricultoras decidiu unir forças em busca de alternativas de geração de renda. O aprendizado sobre o artesanato veio de outras comunidades e, com o suporte do Sebrae, da Prefeitura de Maragogi e da Coopeagro, formalizaram a associação em 2011, começando uma nova fase de empreendedorismo social. Com capacitação e empenho, as artesãs melhoraram a qualidade dos seus produtos, que agora são comercializados em feiras, lojas de grandes cidades e em sua própria sede.

O Sebrae desempenhou um papel vital nesse processo, oferecendo treinamentos em gestão, design e associativismo, que foram essenciais para o sucesso das Mulheres de Fibra. O reconhecimento nacional veio em 2022, quando o grupo recebeu o prêmio Top 100 Sebrae de Artesanato, solidificando sua relevância no cenário do artesanato brasileiro.

Trabalhando com o tradicional bordado de renda filé, as artesãs reinventaram essa técnica utilizando fibras da bananeira, criando peças únicas com identidade própria. Desde luminárias a colares, cada produto carrega a essência da cultura local e um compromisso com a sustentabilidade.

A sede da associação, uma charmosa construção em taipa, é um ponto de atração no ecoturismo da região, oferecendo oficinas e a chance de experimentar o modo de vida comunitário. Além disso, a parceria com estilistas elevou o artesanato local a novas alturas, demonstrando que a arte pode e deve estar conectada à moda contemporânea.

No assentamento Água Fria, essas mulheres não apenas transformaram suas vidas, mas também se tornaram lideranças e fontes de inspiração para futuras gerações. Ao mostrar que, mesmo em situações adversas, é possível gerar renda e criar impacto social, as Mulheres de Fibra reafirmam a importância do empreendedorismo consciente. Elas são um testemunho de que é viável transformar o que parece ser um desperdício em oportunidade, criando um futuro mais justo e sustentável. Com suas mãos talentosas e corações resilientes, elas estão realmente tecendo o futuro.

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