Mulheres ainda enfrentam assédios e descaso em vagões exclusivos do metrô do Rio: 60 dias após nova norma, fiscalização é ineficaz

Na cidade do Rio de Janeiro, a implementação de um vagão exclusivo para mulheres no metrô e nos trens gerou expectativas, mas a realidade vivida pelas passageiras revela um panorama preocupante. Desde a sanção de uma nova norma que garante a existência de vagões femininos sem horários restritivos, as mudanças foram limitadas. A medida, idealizada pelo presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, parece não ter surtido o efeito desejado, conforme testemunhos de muitas usuárias.

Em um dia comum, uma estudante de Direito descreve sua frustração ao perceber que a fiscalização e o cumprimento da norma são ineficazes. Ao entrar no vagão feminino, ela se deparou com homens já ocupando os assentos, ignorando as regras estabelecidas. “Essa mudança na lei não mudou nada, só me irritou. Para eles, a vida continua normalmente”, desabafou, revelando a insatisfação de muitas mulheres que buscam um espaço seguro.

Além disso, relatos de passageiras indicam que o ambiente nos vagões ainda é hostil. Uma moradora de Duque de Caxias, que optou por deixar de usar o trem, citou não apenas o assédio, mas também a correria agressiva durante o embarque e desembarque como razões para alterar seu trajeto. Nesse contexto, o recente aumento da polarização social e da violência nas cidades agrava ainda mais a situação, levando muitas a se sentirem apavoradas.

A rotina das mulheres nos vagões femininos, que deveriam ser um refúgio, é constantemente desafiada por passageiros desinformados e a falta de fiscalização efetiva. Um episódio recente nas redes sociais, que viralizou com mulheres realizando atividades diversas, como leitura e artesanato, contrasta com a realidade vivida em horários de pico e reforça a necessidade de um ambiente seguro.

Uma passageira de 49 anos, que frequentemente utiliza o vagão feminino após experiências traumáticas em ônibus lotados, compartilhou que, ao se sentir ameaçada, agora carrega uma agulha como forma de defesa. “Após algumas situações de assédio, optei por estar sempre preparada”, disse ela, evidenciando a preocupação contínua com a segurança na viagem.

Apesar das diretrizes estabelecidas, como a previsão de multas para quem quebrar as regras, muitas mulheres ainda se sentem intimidarradas, hesitando em intervir quando encontram homens nos vagões femininos. As estratégias para melhorar a situação incluem o pedido por maior fiscalização e a instalação de câmeras de segurança, além de um apelo coletivo para que as mulheres se unam contra os abusos.

A luta por um transporte público mais seguro e respeitoso se mostra uma batalha diária, em que a conscientização e o respeito às normas são fundamentais para garantir a paz e a dignidade das passageiras. É preciso que as autoridades se mobilizem para que a situação não se torne apenas mais uma promessa vazia em meio ao cotidiano caótico das grandes cidades.

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