Mulher presa por fraude em esquema milionário de obras de arte mantém prisão preventiva após audiência de custódia no Rio de Janeiro.

Mulher é Presa por Envolvimento em Esquema de Fraude de Obras de Arte

A prisão de Michele Coelho Montenegro, de 47 anos, chamada socialmente de Mia Montenegro, foi mantida após audiência de custódia realizada no último dia 5. A decisão judicial ocorre no contexto de uma investigação que apura um esquema de fraude milionária, envolvendo estelionato e apropriação indébita, relacionado à negociação de obras de arte. Michele é filha de um vice-almirante que faleceu em 2021 por complicações da Covid-19.

A prisão de Mia ocorreu durante a Operação Tela Falsa, desencadeada pela Polícia Civil, em um apartamento localizado na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, Zona Sul do Rio. Na ocasião de sua detenção, ela ocupava o cargo de assessora da Secretaria Estadual da Casa Civil, recebendo um salário líquido de R$ 12 mil. Após a prisão, o governo estadual exonerou Michele, publicando a decisão em edição extra do Diário Oficial.

Michele se encontra atualmente no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, Zona Norte do Rio de Janeiro, à disposição da Justiça. O delegado Marcos Buss, responsável pela Delegacia de Defraudações, relatou que Michele é alvo de 17 investigações. Ela teria criado uma falsa imagem de credibilidade para enganar um antiquário, levando-o a realizar pagamentos adiantados por obras de arte.

A complexidade do esquema envolve a entrega de quatro quadros avaliados em mais de R$ 10 milhões à acusada. Autenticidades das obras eram afirmadas a partir de sua falsa identidade como advogada e herdeira de uma grande fortuna. A investigação revela que Michele negociou essas obras como se fossem de sua propriedade, sem qualquer intenção de devolvê-las ao legítimo proprietário.

Os quadros envolvidos incluiriam obras de renomados artistas brasileiros, como Sérgio Camargo e Ivan Serpa. Segundo as informações do Ministério Público, dois quadros de Camargo foram entregues a Michele, avaliados em cerca de R$ 5,36 milhões, enquanto obras de Serpa, identificadas como “Série Amazônia nº 25” e “Série Mangueira nº 25”, foram estimadas em aproximadamente US$ 750 mil.

A Justiça também apura eventuais ligações de outras pessoas no esquema. A recente operação da polícia incluiu mandados de busca em diversos locais, incluindo Ipanema, Barra da Tijuca e Niterói, com o intuito de coletar evidências e descobrir o destino dos valores obtidos pelas fraudes.

A defesa de Michele alega que ela é uma vítima e está em busca de acesso aos autos para que a verdade dos fatos seja apurada. O advogado Paulo Gomes Rangel Neto afirmou que “Mia Montenegro foi mais uma vítima” e que a defesa está empenhada em demonstrar isso.

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