Mudanças na política fiscal podem dificultar o trabalho do Banco Central e aumentar custo da política monetária, alerta Campos Neto.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertou sobre os desafios enfrentados pela autoridade monetária em meio a mudanças que impactam a credibilidade da política fiscal. Segundo ele, eventuais alterações que comprometam a âncora fiscal tornam o trabalho do BC mais difícil e elevam os custos da política monetária, refletindo diretamente na condução da política de juros.

Essas declarações surgiram logo após o anúncio do governo sobre a mudança na meta fiscal para 2025, que passou de um superávit de 0,5% do PIB para um déficit zero. Campos Neto ressaltou a importância de uma âncora fiscal sólida, trabalhando em conjunto com a âncora monetária para garantir a estabilidade econômica.

No cenário atual, o BC vem adotando medidas para estimular a economia, como a redução da taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, chegando a 10,75% ao ano na última reunião do Copom em março. Contudo, o presidente do Banco Central alerta para os impactos negativos caso a confiança na âncora fiscal seja abalada, afetando diretamente a condução da política monetária.

Campos Neto ressalta a importância da transparência e da comunicação eficiente em relação às metas fiscais, enfatizando que qualquer desvio deve ser bem comunicado para preservar a credibilidade do governo. Ele destaca que a falta de coordenação entre as políticas fiscal e monetária é uma tendência global, o que pode trazer desafios adicionais na recuperação pós-pandemia.

Diante desse cenário, o presidente do Banco Central alerta para a necessidade de alinhar as políticas fiscal e monetária, a fim de garantir a estabilidade econômica e superar os obstáculos que se apresentam, reforçando a importância da coordenação entre os diversos setores para enfrentar os desafios econômicos que se apresentam.

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