A tragédia colocou em evidência uma preocupação já existente com as condições de trabalho dos tripulantes da companhia. Durante uma audiência pública realizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no dia 28 de junho, essa questão foi levantada por um dos pilotos da VoePass. O piloto, identificado como Luis Claudio de Almeida, relatou ter sofrido pressão para assumir mais horas de voo do que o permitido por lei. “A empresa às vezes me liga para fazer um voo: ‘Vai, vai que dá (para voar)’. Mas (na escala) diz que não é para ir”, revelou Almeida.
Esse depoimento durante a audiência pública despertou a atenção do MPT, que vê a necessidade de aprofundar a investigação para assegurar que a jornada de trabalho dos tripulantes está em conformidade com as normas regulamentares e que não há excessos que possam comprometer a segurança dos profissionais e dos passageiros.
A pressão para cumprir jornadas excessivas não é uma questão inédita na aviação comercial e tem sido tema de debate entre sindicatos e autoridades reguladoras. No entanto, a confirmação de tais práticas por parte de um piloto experiente ressalta a urgência de medidas investigativas e corretivas.
A VoePass, uma das companhias aéreas regionais que expandiu suas operações nos últimos anos, ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações do piloto ou sobre a investigação do MPT.
Este caso servirá como um catalisador para uma revisão mais ampla das práticas de trabalho na indústria da aviação, com o objetivo de garantir a segurança máxima e o cumprimento das regulamentações trabalhistas. Eventuais falhas ou irregularidades encontradas poderão resultar em sanções severas, tanto do ponto de vista operacional quanto jurídico, para a empresa.
Enquanto a investigação avança, a comunidade aeronáutica e os passageiros aguardam por respostas claras e medidas que possam prevenir futuras situações de risco.







