A conferência abordou temas cruciais, divididos em três eixos: “Cruzando continentes: conectividade resiliente”, “Corredores de cooperação: protegendo cadeias de suprimentos críticas” e “Altas tecnologias e IA: perspectivas para a cooperação do BRICS”. A última sessão contou com a participação de Walter Desidera Neto, um destacado pesquisador brasileiro do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que exaltou a importância de superar desafios na infraestrutura digital e na soberania tecnológica.
Desidera destacou que, enquanto China e Rússia avançam em inovações tecnológicas completas, outros países do BRICS ainda enfrentam dificuldades em suas transições para uma economia digital mais robusta. O especialista chamou atenção para a necessidade urgente de investimentos em supercomputadores, redes de alta velocidade e formação de mão de obra qualificada, áreas que são essenciais para o desenvolvimento sustentável do grupo.
Victoria Panova, chefe do BRICS Expert Council Russia, também fez um pronunciamento significativo durante o evento. Ela sublinhou que a tecnologia, e em particular a inteligência artificial, tem sido historicamente usada por países ocidentais para impor suas normas, mas que agora o BRICS emerge como um novo formulador de regras nesse espaço. Para Panova, a conferência representa uma etapa essencial rumo a um novo paradigma de cooperação internacional, o qual poderia desafiar os padrões ocidentais dominantes.
Adicionalmente, Pavel Knyazev, embaixador do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, abordou a importância de trabalharem juntos frente às tensões geopolíticas atuais. Ele apresentou as expectativas positivas em relação à cúpula do BRICS que ocorrerá em setembro na Índia, enfatizando que eventos como este são fundamentais para a construção de um futuro de colaboração mútua e desenvolvimento tecnológico.
Concluindo, o encontro em Moscou não apenas fortaleceu os laços entre os membros do BRICS, mas também solidificou a visão de um futuro onde a cooperação tecnológica é vista como indispensável em um cenário global cada vez mais complexo e interconectado. A perspectiva de um multilateralismo fortalecido no âmbito das inovações promete traz benefícios substanciais para todos os envolvidos.





