O chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, declarou à imprensa que os resultados do encontro foram satisfatórios e que Moscou está disposta a continuar o diálogo. Um dos principais avanços foi um acordo de troca de prisioneiros, onde mil indivíduos de cada lado serão liberados. Além disso, a Ucrânia manifestou interesse em realizar uma reunião entre os líderes das duas nações, algo que a Rússia está considerando.
O analista internacional Raphael Machado avaliou a reunião como um passo positivo, enfatizando a importância de ambos os lados estarem dispostos a negociar. Segundo ele, “todo diálogo é sempre bem-vindo” em um contexto de conflito contínuo. No entanto, Machado reconhece que a posição da Ucrânia se torna cada vez mais delicada, à medida que o tempo avança e novas vitórias militares da Rússia ocorrem.
Machado destaca que a verdadeira tarefa dos negociadores russos será persuadir a parte ucraniana a dialogar de uma forma mais construtiva, especialmente em relação às repúblicas que se juntaram à Rússia após plebiscitos em 2022: Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhie. Ele observa que a resistência por parte da Ucrânia até o momento tem sido um entrave significativo para o progresso das discussões.
O analista também manifesta preocupações sobre a possibilidade de sabotagens que possam ocorrer por influência de potências ocidentais. Ele recorda episódios anteriores em que tratativas de paz quase foram bem-sucedidas, mas foram interrompidas por intervenções externas, notadamente aquelas dos líderes euro-atlânticos que, em 2022, desencorajaram a Ucrânia de buscar um acordo.
Apesar do cenário complicado, Machado revela uma esperança de que o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, e suas lideranças reconheçam a insustentabilidade da sua posição atual e procurem propostas que possam facilitar um entendimento com a Rússia. Para os russos, a intenção é clara: concluir a operação militar de maneira que um novo conflito não emergisse, buscando, enfim, uma paz que seja realmente duradoura. “Não existe pressa”, afirma Madeira, ressaltando que um acordo apresado pode não passar de uma mera trégua. Assim, a busca por paz persistirá, enquanto o futuro das relações russo-ucranianas permanece incerto.
