A presidente da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, comentou que o governo norte-americano não tem fornecido informações suficientes sobre os incidentes, o que levou o México a considerar a possibilidade de buscar apoio de organismos internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e as Nações Unidas (ONU). Além disso, a Chancelaria mexicana orientou seus diplomatas a visitarem diariamente os centros de detenção do ICE, oferecendo assistência e orientação jurídica às famílias dos falecidos.
O dilema dos migrantes e a forma como são tratados sob a custódia do ICE levantam preocupações sobre uma possível negligência sistemática em relação à vida desses indivíduos. O professor Tomás Milton Muñoz, especialista em Ciência Política, comentou que a situação revela um “desprezo total pela vida” dos migrantes. Ele enfatizou que os centros de detenção estão abarrotados, com mais de 70 mil pessoas em custódia, gerando um movimento econômico lucrativo para a iniciativa privada que assume a responsabilidade pelo manejo desses centros, cobrando cerca de US$ 160 por dia por cada detido.
Eunice Rendón, doutora em Políticas Públicas e especialista em migração, acrescentou que a principal prioridade dos agentes do ICE parece ser o cumprimento de metas de detenções, desconsiderando tanto os antecedentes dos migrantes quanto o respeito aos direitos humanos. A falta de protocolos adequados foi evidenciada por casos relatados de mortes decorrentes de uso excessivo da força, mesmo com a maioria dos detidos não apresentando antecedentes criminais.
Embora os especialistas compartilhem a visão de que levar o caso à CIDH pode ser simbólico — já que as recomendações do comitê não são vinculativas —, eles ressaltam a importância de expor esses abusos à comunidade internacional. Muñoz defende a necessidade de fortalecer as redes de apoio às comunidades migrantes, buscando colaborar com outras nações e organizações que trabalham em prol dos direitos humanos.







