Morre Oscar Schmidt, ícone do basquete brasileiro e mestre do arremesso de três pontos, deixando um legado eterno no esporte mundial.

A morte de Oscar Schmidt, aos 68 anos, nesta sexta-feira, marca o fim de uma trajetória notável de um dos mais icônicos arremessadores do basquete mundial. Conhecido como “Mão Santa”, o ex-ala brasileiro conquistou uma carreira repleta de feitos impressionantes, especialmente no que diz respeito às bolas de três pontos, um fundamento que ele dominava em uma época em que ainda não era a prioridade tática do esporte.

Entre os momentos mais memoráveis de sua carreira, destaca-se o concurso de três pontos no All-Star da Liga Italiana, em 1993. Na final, enfrentando o sérvio Sasha Djordjevic, Oscar mostrou toda sua habilidade ao converter 22 de 25 arremessos, consolidando sua reputação internacional como um dos melhores especialistas em arremessos de longa distância.

Sua influência no basquete europeu também foi marcante. Enquanto defendia o Forum Valladolid na Espanha, ele fez história ao acertar 11 bolas de três em uma única partida contra o CB Murcia, em 19 de novembro de 1993, um recorde que permaneceu imbatível por duas décadas. Esse feito só foi superado 20 anos depois, quando Jacob Pullen alcançou 12 arremessos, curiosamente, novamente contra o Valladolid.

A precisão de Oscar nos arremessos foi fruto de uma dedicação ímpar aos treinos. Em uma entrevista ao programa “Fantástico”, em 2016, ele enfatizou: “Quanto mais eu treino, mais minha mão é santa. Minha carreira foi assim. Muito treino, muito jogo e minha esposa ao meu lado sempre, em qualquer ocasião.”

Os números de Oscar falam por si. Ele se destacou como o maior pontuador da história do basquete, com 49.737 pontos acumulados em 1.615 jogos, uma marca superada mais tarde por LeBron James. Com a seleção brasileira, Oscar contribuiu com 7.693 pontos em 326 partidas e ainda é o maior cestinha das Olimpíadas, somando 1.093 pontos.

O auge de sua carreira pela seleção veio nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, onde fez 46 pontos na inesquecível vitória sobre os Estados Unidos, um feito que evidenciou a força dos arremessos de longa distância em um momento em que essa estratégia ainda estava em formação no cenário internacional. Ele mesmo recordou a emoção desse jogo em uma entrevista à TV Globo, afirmando que assiste ao vídeo da vitória todos os dias.

Apesar de ter sido draftado pelo New Jersey Nets em 1984, Oscar preferiu permanecer ligado à seleção brasileira, uma decisão que moldou sua carreira e acentuou seu impacto no basquete ao redor do mundo. Sua trajetória levou-o a ser incluído nos Halls da Fama da Fiba e dos Estados Unidos, um reconhecimento raro para um jogador que nunca jogou na NBA.

Com sua combinação única de talento, disciplina e resultados, Oscar Schmidt não apenas acumulou recordes, mas também redefiniu o papel do arremesso de três pontos no basquete. Seu legado perdura, solidificando-o como um dos maiores “franco-atiradores” da história do esporte.

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