Morre Bira Haway, ícone do pagode, aos 74 anos
O mundo da música brasileira perdeu um de seus grandes protagonistas neste domingo, 25 de janeiro. Ubirajara de Souza, conhecido como Bira Haway, faleceu no Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na zona oeste do Rio de Janeiro, aos 74 anos. Embora não fosse uma figura amplamente reconhecida pelo público em geral, sua influência nos bastidores do samba e do pagode é inegável.
Bira Haway foi o responsável por moldar o som do pagode que dominou as paradas musicais nas últimas décadas. Com uma carreira começada como percussionista nos vibrantes palcos da noite paulistana, ele conquistou notoriedade e se tornou um respeitado produtor musical. O apelido “Haway” originou-se de um estúdio onde trabalhou e virou um símbolo de sua carreira, representando sua contribuição à música popular brasileira.
O talento de Bira não se limitou ao trabalho em estúdio. Sua presença no carnaval carioca foi marcante, onde atuou como intérprete de escolas de samba. Entre suas realizações, destaca-se sua performance como voz da Estácio de Sá em um desfile memorável, sob a direção de Ciça como mestre de bateria, um período essencial na história da agremiação.
A partir da década de 1980, Bira direcionou sua carreira para os bastidores, onde se destacou como produtor musical. Ele foi peça fundamental na formação e consolidação de diversos grupos de pagode que se tornaram ícones do gênero, como Molejo, Exaltasamba, Soweto, Samprazer e Grupo Revelação. Sua habilidade em identificar repertórios e afinar arranjos ajudou artistas em momentos cruciais de suas trajetórias.
Bira também deixará um legado duradouro em sua família. Ele era pai de Anderson Leonardo, vocalista do Grupo Molejo, que faleceu em 2024 devido a um câncer raro. A perda de Bira Haway representa não apenas o encerramento de uma era, mas também um tributo à resiliência e à rica história do samba e do pagode no Brasil, gêneros que ele ajudou a moldar e difundir. Sua contribuição à música será sempre lembrada e valorizada por aqueles que conheciam e apreciavam seu trabalho.






