Embora a postura de Moraes seja justificada pela preocupação com a integridade da instituição, é crucial que o STF também reflita sobre sua própria conduta. O desgaste da Corte não é um fenômeno aleatório; ele é avivado por ações e decisões que podem ser mal interpretadas ou criticadas pela sociedade. Questões que envolvem a relação de ministros com instituições financeiras ou a atuação de parentes de magistrados em causas que tramitam na Corte exacerbam essa desconfiança. Apesar de não constituírem ilegalidades, essas situações geram um desconforto ético que acaba por ser explorado por figuras políticas em suas estratégias de desmoralização do Supremo.
A tática de certos setores da direita e da extrema-direita é explícita: desacreditar a imagem da Corte para angariar capital político. Enquanto segmentos da esquerda reconhecem a necessidade de revisões e atualizações na Justiça, a oposição extrema busca desmantelar o sistema, propondo processos de impeachment ou reformas drásticas que possam alterar a composição do tribunal, seja por meio de mandatos fixos ou pelo aumento do número de ministros.
O STF, ao tentar acelerar os julgamentos relacionados aos eventos do 8 de janeiro, visava evitar que esses episódios contaminassem o cenário eleitoral de 2026. No entanto, a estratégia não teve o efeito desejado, e o tribunal acabou tornando-se uma peça central nas campanhas eleitorais, especialmente entre candidatos ao Senado que buscam capitalizar sobre o desgaste do Supremo.
Historicamente, o STF desempenhou um papel crucial na proteção da democracia em tempos turbulentos. Contudo, agora enfrenta um novo desafio: navegar em um contexto onde não é apenas um árbitro, mas, frequentemente, o alvo preferencial dos ataques políticos. As tensões entre a política e o Judiciário, portanto, não apenas persistem, como se intensificam, exigindo reflexão e ação de ambos os lados.
