No parecer, Gonet se opôs a uma proposta da Polícia Federal que sugeria o posicionamento de agentes em tempo integral dentro da casa de Bolsonaro, defendendo, em vez disso, um reforço na vigilância do espaço externo. O procurador ressaltou que os verdadeiros pontos de vulnerabilidade estavam na área ao redor da residência, a qual possui “pontos cegos” que poderiam ser explorados para uma fuga.
A ampliação do monitoramento foi respaldada por informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal, que indicou a dificuldade de garantir a segurança externa devido a essas mesmas “zonas de sombra”. Moraes destacou que qualquer medida a ser adotada deve equilibrar a privacidade dos moradores e os imperativos da lei penal, a fim de evitar qualquer chance de evasão.
Com as novas diretrizes, não apenas o escopo de monitoramento externo será intensificado, como também todos os veículos que deixarem a propriedade serão minuciosamente inspecionados. Isso inclui vistorias nos porta-malas, além de um registro detalhado das informações sobre os veículos, motoristas e passageiros, que serão enviados ao STF diariamente.
Essas decisões ocorrem em um contexto crítico, próximo ao início do julgamento de Bolsonaro, marcado para a próxima terça-feira, 2 de setembro. O ex-presidente e outros sete co-réus enfrentarão um processo na Primeira Turma do STF, sendo Moraes o relator. Este julgamento se refere à tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2022, acrescentando uma complexidade significativa à situação já tensa do ex-chefe de governo.