Moradores do Jacintinho Chamam Torneira Comunitária de “Torneira do Milagre” em Protesto por Falta de Água
Na última sexta-feira (22), moradores do bairro Jacintinho, em Maceió, realizaram uma manifestação em busca de soluções para a dura realidade do abastecimento de água em sua região. Após mais de dez dias sem água nas torneiras, a insatisfação da população se transformou em um protesto organizado, onde as vozes de muitos clamavam por ações concretas.
Equipados com baldes vazios e cartazes, os manifestantes expressaram sua revolta ao enfrentarem contas de água elevadas, mesmo diante da ausência do recurso. Um ponto curioso e emblemático da manifestação foi a presença de uma torneira comunitária, que passou a ser referida pelos moradores como “torneira do milagre”, já que, ao contrário das outras, ainda fornece água para parte da população. Essa torneira se tornou um símbolo de resistência e esperança em um cenário de abastecimento crítico.
O descontentamento não é recente. Segundo relatos, apesar das promessas de normalização feitas pela empresa responsável pelo abastecimento, a BRK, a situação permanece precária. Na manhã do protesto, equipes da concessionária estiveram presentes, mas não conseguiram sanar o problema. Uma moradora, em meio ao tumulto, desabafou: “A BRK disse que a água chegaria às 8h30 da noite de ontem e nada. Hoje de manhã, eles vieram, olharam e afirmaram que estava tudo normal, mas não está.”
A manifestação já havia começado na noite anterior, quando moradores interditaram um trecho da Ladeira do Óleo com galhos e colchões queimados. A Polícia Militar de Alagoas foi acionada para acompanhar a mobilização e garantir a segurança no trânsito. Na história de muitos ali presentes, a falta de água não é apenas um incômodo; é um sofrimento diário que afeta os cuidados básicos de saúde, especialmente para aqueles que cuidam de idosos e pessoas com deficiência.
Maria de Fátima, mãe de um jovem de 22 anos acamado, compartilhou sua angústia: “Sem água, não consigo fazer a higienização adequada dele”. Os moradores enfatizaram que a crise afeta especialmente as crianças e os idosos, que são os mais vulneráveis nessa situação.
Em meio às reclamações, os organizadores do protesto anunciaram que, caso a situação não seja resolvida, um novo ato será realizado na próxima segunda-feira. “Só vamos liberar quando a água chegar,” afirmaram, demonstrando a determinação da comunidade em lutar por seus direitos.
