A situação chega a ser surreal, considerando que a Justiça já havia corroborado a obrigação da Enel em realizar a ligação de energia. No entanto, até a presente data, essa decisão permanece sem cumprimento, lançando os condôminos em uma necessidade insustentável de improvisação elétrica. Um morador, que preferiu não ser identificado, relatou as dificuldades enfrentadas por ele e pelos outros 270 condôminos, descrevendo que os geradores, inicialmente vistos como uma alternativa temporária, se transformaram em uma necessidade vital, especialmente em dias de chuvas intensas, época em que a energia se torna ainda mais crítica. “Quando acaba a energia da rua de trás, devido às fortes chuvas, o gerador ativa 100%, mas não consegue aguentar e todos ficam sem luz”, afirma, lamentando o cansaço de subir as escadas de um prédio de 26 andares em busca de uma fonte de luz.
O embate legal contra a Enel teve início antes mesmo da entrega das chaves aos moradores, quando a empresa responsável pela construção, a Osaka Empreendimentos, ingressou com um processo contra a distribuidora de energia em maio de 2025. O objetivo era garantir que a Enel cumprisse o contrato estabelecido para a instalação da rede elétrica do edifício. A Osaka mencionou que a empresa de energia não havia finalizado as obras na data acordada, o que impactou diretamente o processo de entrega dos apartamentos.
A questão complicou-se ainda mais quando em setembro do ano anterior, o juiz Luiz Antonio Carrer decidiu a favor da Osaka, impondo um prazo de 15 dias para que a Enel realizasse a ligação de energia, sob pena de multas diárias de R$ 1 mil. Contudo, até o momento não houve progresso, e a Enel, em sua defesa, mencionou que agendou a ligação para uma data específica, mas moradores alegam que nenhuma equipe técnica compareceu ao local, aumentando a insatisfação entre os residentes. “É falta de respeito, especialmente em dias de chuva”, desabafa um morador, refletindo o sentimento coletivo diante de um impasse que já dura meses.






