Moradores da Vila Madalena enfrentam apagão e usam geradores enquanto lutam na Justiça por ligação de energia da Enel desde a entrega do condomínio.

Em um cenário de frustração e inconformismo, moradores de um novo condomínio na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, enfrentam uma batalha judicial com a Enel, empresa de fornecimento de energia elétrica, desde julho, mês em que o prédio foi oficialmente entregue. Desde então, os residentes têm se utilizado de geradores portáteis para realizar atividades cotidianas, uma solução que se tornou uma medida permanente diante da ausência de energia elétrica no local.

A situação chega a ser surreal, considerando que a Justiça já havia corroborado a obrigação da Enel em realizar a ligação de energia. No entanto, até a presente data, essa decisão permanece sem cumprimento, lançando os condôminos em uma necessidade insustentável de improvisação elétrica. Um morador, que preferiu não ser identificado, relatou as dificuldades enfrentadas por ele e pelos outros 270 condôminos, descrevendo que os geradores, inicialmente vistos como uma alternativa temporária, se transformaram em uma necessidade vital, especialmente em dias de chuvas intensas, época em que a energia se torna ainda mais crítica. “Quando acaba a energia da rua de trás, devido às fortes chuvas, o gerador ativa 100%, mas não consegue aguentar e todos ficam sem luz”, afirma, lamentando o cansaço de subir as escadas de um prédio de 26 andares em busca de uma fonte de luz.

O embate legal contra a Enel teve início antes mesmo da entrega das chaves aos moradores, quando a empresa responsável pela construção, a Osaka Empreendimentos, ingressou com um processo contra a distribuidora de energia em maio de 2025. O objetivo era garantir que a Enel cumprisse o contrato estabelecido para a instalação da rede elétrica do edifício. A Osaka mencionou que a empresa de energia não havia finalizado as obras na data acordada, o que impactou diretamente o processo de entrega dos apartamentos.

A questão complicou-se ainda mais quando em setembro do ano anterior, o juiz Luiz Antonio Carrer decidiu a favor da Osaka, impondo um prazo de 15 dias para que a Enel realizasse a ligação de energia, sob pena de multas diárias de R$ 1 mil. Contudo, até o momento não houve progresso, e a Enel, em sua defesa, mencionou que agendou a ligação para uma data específica, mas moradores alegam que nenhuma equipe técnica compareceu ao local, aumentando a insatisfação entre os residentes. “É falta de respeito, especialmente em dias de chuva”, desabafa um morador, refletindo o sentimento coletivo diante de um impasse que já dura meses.

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