A duplicata escritural vem para substituir o sistema tradicional físico e fragmentado por um modelo eletrônico centralizado, administrado por escrituradoras autorizadas. Essa mudança visa eliminar riscos, como a duplicação de títulos e a emissão de “duplicatas frias”, que ocorrem quando um título é gerado sem lastro em transações reais. Com um registro único e rastreável para cada duplicata, a nova iniciativa garante que um único título não possa ser usado como garantia em múltiplas operações de crédito. Historicamente, a falta de controle nesse processo acarretava custos elevados, fraudes e insegurança jurídica para empresas que dependiam desse financiamento.
O potencial do mercado é impressionante: atualmente, o Brasil emite entre R$ 10 trilhões e R$ 13 trilhões anualmente em duplicatas, mas apenas uma fração, entre 10% e 15%, é utilizada para operações de crédito. A digitalização desses recebíveis pode, portanto, abrir um vasto caminho para um maior acesso ao financiamento, especialmente para pequenas e médias empresas que tradicionalmente têm enfrentado barreiras para acessar o mercado de capitais.
Esta primeira operação, coordenada entre Monkey e B3, trouxe à tona um processo estruturado que envolveu diferentes partes: o fornecedor, atuando como cedente, o sacado, a B3 encarregada da escrituração, e a Echoes Capital, responsável pelo aporte de capital. A Monkey facilitou a conexão entre os fornecedores e o capital necessário para suas operações, destacando-se como uma plataforma inovadora neste cenário.
Roberta Ferraz, diretora de novos negócios da Monkey, ressalta a importância dessa parceria, afirmando que a duplicata escritural vai além da digitalização de títulos – trata-se de uma nova infraestrutura que pode resolver problemas históricos de fraude e duplicidade, proporcionando um acesso mais seguro e rápido ao crédito. Por outro lado, Roberta Fortunato, da B3, salienta que essa colaboração exemplifica o papel central da bolsa no mercado de capitais e crédito privado brasileiro.
A Echoes Capital, ao aportar os recursos, demonstra como a confiança em um ativo bem registrado pode reduzir significativamente o risco de fraudes e tornar o mercado de crédito mais transparente e eficiente, beneficiando as empresas que realmente geram os recebíveis. A operação ocorre em um momento de transição, logo após o Banco Central ter lançado o ecossistema da duplicata escritural, estabelecendo uma nova era para a emissão de duplicatas no país, cujo cronograma de obrigatoriedade se estenderá até julho de 2028 para pequenas empresas.
Com base na experiência adquirida em outros mercados, como o chileno, onde a fatura eletrônica é um pilar do financiamento, a Monkey está comprometida em fomentar discussões no Brasil sobre a padronização e segurança no uso de recebíveis. À medida que essa nova infraestrutura de crédito se consolida, existe uma expectativa clara de uma transformação positiva no acesso a financiamentos, particularmente para micro e pequenas empresas.




