Durante os atos, a militante Mandi Coelho, que também é pré-candidata a deputada federal pelo PSTU, destacou a grave situação do feminicídio e da violência contra as mulheres no Brasil. Ela criticou a omissão de setores da política nacional, incluindo a extrema direita e grupos centristas no Congresso, que, segundo ela, minimizam dados sobre a violência de gênero e desvalorizam legislações como a Lei Maria da Penha. Coelho argumentou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem deixado de lado as pautas femininas em prol de acordos políticos com o Centrão e setores religiosos.
O PL 896/2023, elaborado pela senadora Ana Paula Lobato, propõe incluir a misoginia na Lei do Racismo, equiparando a aversão às mulheres a crimes de ódio raciais. A proposta, que já recebeu aprovação unânime no Senado, estabelece penas de dois a cinco anos de reclusão e multa para atos discriminatórios motivados por misoginia. Sua tramitação na Câmara, sob a relatoria da deputada Tabata Amaral, obteve a aprovação de regime de urgência, mas ainda não há data marcada para a votação em plenário.
Apesar da pressão popular, a proposta enfrenta resistência de alguns setores da bancada conservadora, que questionam os critérios para a tipificação da misoginia. Para contornar essa situação, um grupo de trabalho foi formado, coordenado por Amaral, com o intuito de buscar um consenso.
Além de lutar pela aprovação do PL, o Levante Mulheres Vivas pede a implementação de uma série de medidas para combater a violência contra mulheres, incluindo a ampliação das Delegacias da Mulher, a criação de casas-abrigo e melhorias na eficácia do sistema de Justiça. O movimento, fundado em dezembro de 2025, tem potencializado a luta contra o feminicídio, convocando a sociedade a se mobilizar em defesa dos direitos das mulheres, em um contexto onde a urgência por mudanças se faz cada vez mais necessária.
