Ministro Flávio Dino afirma que ex-parlamentares não têm legitimidade para influenciar emendas e critica “oligarquia parlamentar” em despacho contundente.

Na manhã desta terça-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, proferiu declarações contundentes sobre a atuação de ex-parlamentares e líderes partidários em relação às emendas parlamentares. Em despacho assinado pelo magistrado, ficou claro que essas figuras não possuem a “legitimidade” necessária para influir na alocação desses recursos públicos. O recado, além de ser uma orientação, também reforça a necessidade de respeito aos princípios que regem a distribuição de verbas do Orçamento Geral da União.

O alerta de Flávio Dino surgiu após a decisão de bloquear os bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, devido a indícios de que suas indicações relativas às emendas seriam indevidas. Ao descrever essa situação, o ministro fez referência a uma “oligarquia parlamentar”, aduzindo que a política não deve ser dominada por um pequeno grupo que controla decisões cruciais, como a destinação de recursos públicos.

O despacho revelou uma preocupação com a legitimidade das ações desses ex-parlamentares, enfatizando que a transferência de autoridade sobre a alocação de recursos a não parlamentares representa um grave equívoco jurídico e ético. “Uma oligarquia parlamentar já seria um grave equívoco; é ainda mais problemático quando um pequeno grupo acredita ter o direito de transferir o controle a terceiros”, destacou o ministro.

Dino também se posicionou contra as alegações de Valdemar Costa Neto, Eduardo Cunha e outros políticos, que se defendem das acusações relacionadas a peculato-desvio e associação criminosa na indicação de emendas. O ministro lembrou que, embora parcerias políticas possam existir, elas nunca devem comprometer os fundamentos da Constituição. “Um parlamentar pode considerar sugestões de aliados, mas é inaceitável que ex-parlamentares mantenham liberdade para direcionar verbas”, sublinhou.

Ele reafirmou que as prerrogativas dos deputados e senadores são irrenunciáveis e não podem ser delegadas a outras pessoas, pois isso seria uma afronta aos interesses públicos e ao patrimônio nacional. Com esse posicionamento firme, Flávio Dino busca assegurar a transparência e a rastreabilidade no uso das emendas parlamentares, defendendo que a política deve ser prática de responsabilidade, longe de manipulações e interesses pessoais.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo