O enredo criminal que envolve Daniel Brandão remonta a uma investigação desencadeada em 2022, antes mesmo de sua nomeação para o Tribunal de Contas. Ele é mencionado no inquérito por sua associação com um condenado por homicídio, que atuaria como operador financeiro em negociações de pagamentos ilícitos para o grupo de Brandão. Após a prisão desse indivíduo, a família supostamente começou a receber suporte financeiro contínuo do círculo de Danilo, levantando sérias questões sobre a troca de favores a fim de preservar o silêncio do condenado em relação às irregularidades.
Em sua decisão, Flávio Dino salientou a necessidade de uma análise meticulosa do grau de envolvimento de Daniel nas circunstâncias do homicídio. Além disso, apontou a importância de investigar sua ligação com a utilização de recursos oriundos de emendas parlamentares para o pagamento de propinas a diversos indivíduos no Maranhão, o que poderia comprometer a integridade das contas públicas.
O ministro também assinalou que o grupo sob investigação tem utilizado todas as estratégias possíveis para proteger a identidade de Daniel nas apurações relacionadas ao homicídio ocorrido em um edifício em 2022. Ele destacou que há indícios robustos de que Daniel Brandão tem se aproveitado de sua posição de Conselheiro do Tribunal de Contas para se ocultar das investigações.
Dino expressou preocupações adicionais em relação à conexão de Daniel com empresas da família Brandão, que também estão nas malhas da investigação por desvio de verbas públicas. A possibilidade de uma dessas empresas ter realizado pagamentos ao condenado em troca de silêncio eleva a gravidade da situação, apresentando um claro risco ao processo judicial e ao correto uso dos recursos públicos.
A decisão de afastamento foi considerada necessária e urgente, uma vez que a manutenção de Daniel Brandão na presidência do Tribunal de Contas poderia obstruir ainda mais as investigações em curso, especialmente considerando o poder que sua posição lhe confere sobre as contas do governo do tio. Assim, Flávio Dino reforçou a incompatibilidade de manter Daniel no cargo diante das sérias e variadas acusações que pesam sobre ele.




