As investigações tiveram início a partir de auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), que, nos seus relatórios, apontaram sinais claros de superfaturamento, além da execução parcial ou, em alguns casos, inexistente de serviços. Esses problemas sugerem que poderia haver um conluio entre servidores do Dnocs e empresas favorecidas, comprometendo a integridade do processo de execução de obras públicas.
Nessa operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em locais ligados ao Dnocs e à empresa Construmaster, além de serem investigados servidores que atuam na fiscalização dos contratos. Também foram quebrados os sigilos bancários dos sócios da empresa envolvida, mas não há registros de mandados de prisão nesta fase inicial das investigações.
As supostas irregularidades estão associadas a emendas propostas pelo deputado federal Robério Monteiro (PDT-CE), embora o parlamentar não esteja sendo diretamente investigado neste momento. A Polícia Federal revelou que a Construmaster teria, de maneira consciente, “atestado ficticiamente” a execução de serviços que nunca foram realizados ou que foram entregues de forma incompleta. Essa situação não foi questionada pelo Dnocs, levantando ainda mais questões sobre a supervisão e transparência na execução dos contratos.
Um dos aspectos mais alarmantes apontados na investigação é o uso de imagens fraudulentas, que foram apresentadas para simular a conclusão de obras que não ocorreram. A empresa teria utilizado fotos de outras localidades, confundindo a fiscalização sobre a entrega dos serviços. A PF destacou que o uso de imagens manipuladas ou de outros lugares para atestar a execução de obras representa uma grave falha que compromete a transparência e a confiança nos processos de supervisão e execução de obras públicas, refletindo um cenário preocupante na gestão de recursos públicos e no combate à corrupção.
