Ministro do STF cobra esclarecimentos sobre abordagem a empresário investigado em fraudes no INSS dentro do Complexo Penitenciário da Papuda.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou à direção do Complexo Penitenciário da Papuda que apresente esclarecimentos em um prazo de 48 horas sobre uma abordagem realizada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, enquanto ele estava sob custódia no local.

A medida foi tomada em resposta a uma reclamação formal da defesa de Antunes, que alegou que o empresário foi submetido a questionamentos informais por parte de policiais penais, sem a presença de seus advogados e sem agendamento prévio. As informações sugerem que as perguntas feitas aos interrogados incluíam discussões sobre uma possível colaboração premiada, o que gerou preocupação entre os defensores sobre a legalidade do procedimento.

Esses questionamentos não ocorreram por acaso, segundo a defesa, especialmente considerando que já havia um interrogatório administrativo programado para um futuro próximo, no qual Antunes poderia ser ouvido com a devida assistência jurídica. Os advogados descreveram o episódio como um “fato grave”, enfatizando que as ações dos policiais foram realizadas fora dos trâmites formais que regulamentam as oitiva de detentos.

Em sua análise, o ministro Mendonça determinou que a administração da Papuda explique as circunstâncias da abordagem, identifique os servidores envolvidos e informe se houve registro formal da ocorrência. Embora não tenha se posicionado sobre a veracidade das alegações, o ministro considerou essencial obter informações detalhadas antes de decidir sobre eventuais ações subsequentes.

Antônio Carlos Camilo Antunes se encontra em prisão preventiva e é considerado pela Polícia Federal um dos principais operacionais em um esquema de fraudes relacionadas a descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Sua atuação foi investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, onde é acusado de intermediar associações que realizavam cobranças fraudulentas em conluio com agentes públicos.

Após a apresentação das respostas pela administração penitenciária, Mendonça irá ponderar se medidas adicionais são necessárias no contexto do caso. A expectativa é que a situação seja esclarecida em breve, dado o caráter sensível das alegações.

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