Ministro das Relações Exteriores do Brasil busca reverter tarifas de 25% em encontro com representante comercial dos EUA durante evento da OCDE em Paris.

Na quarta-feira, 3 de outubro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, estará presente em um evento promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. Um dos participantes notáveis do evento será o embaixador Jamieson Greer, que atua como representante comercial dos Estados Unidos (USTR). Greer, que tem se destacado por liderar a recomendação das novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, é um dos principais agentes nas discussões atuais sobre comércio internacional.

Com o intuito de minimizar o impacto das novas tarifas, o governo brasileiro está buscando uma oportunidade para articular um encontro entre Vieira e Greer. Essa reunião seria uma chance crucial para que o chanceler brasileiro pudesse apresentar argumentos fundamentados contra a implementação do que é conhecido como “tarifaço”. O vice-presidente Geraldo Alckmin, em declarações feitas na terça-feira, destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em abordar essa questão, indicando que o diálogo entre os dois países está longe de se encerrar.

Alckmin enfatizou a importância desse diálogo contínuo, mencionando que, apesar de não haver uma reunião formal agendada, a comunicação entre o USTR e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) permanece ativa. O vice-presidente caracterizou a situação como um espaço aberto para negociações futuras.

As tarifas propostas, resultantes do que se denomina Seção 301, têm gerado polêmica. Greer, durante sua fala, destacou que essas tarifas são “bastante diferenciadas” por conta das isenções relacionadas a produtos como carne bovina, café, metais e energia. Segundo ele, as investigações realizadas revelaram práticas comerciais do Brasil que poderiam ser consideradas desleais. Dados do Mdic indicam que essas novas tarifas afetarão cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.

Além disso, o governo brasileiro expressou preocupação com a origem dessas investigações, atribuindo-as a uma articulação política relacionada à família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os chefes do governo brasileiro criticarão os interesses que, segundo eles, têm sabotaado esforços de diálogo e cooperação. Um exemplo que gerou controvérsia foi a inclusão do sistema de pagamento instantâneo, o Pix, entre os alvos da investigação do USTR, que foi considerado uma ameaça à concorrência de empresas privadas norte-americanas.

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