Ministro da Fazenda defende transparência no Pix e critica lobbies durante visita a Washington com Lula, em meio a investigações comerciais dos EUA.

Na manhã desta quarta-feira, 6 de maio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, fez declarações importantes sobre a posição do governo brasileiro em relação ao sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix. Durante uma entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, do CanalGov, Durigan destacou a intenção do governo de “afastar algum lobby indevido” nas discussões que ocorrerão nas próximas horas com os Estados Unidos. O tema ganha relevância à véspera da espera reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump. Durigan integrará a comitiva presidencial durante essa visita.

A preocupação do Brasil, segundo Durigan, é justificada por uma investigação iniciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que visa a averiguação de práticas comerciais brasileiras. Esta investigação está alinhada à Seção 301 da legislação americana e inclui questionamentos sobre o funcionamento do Pix, além de questões relativas à propriedade intelectual e o comércio informal no Brasil.

O ministro esclareceu que há dúvidas sobre o funcionamento do sistema de pagamentos brasileiros na esfera americana, mas o governo brasileiro se mostra preparado para esclarecer esses pontos durante as discussões bilaterais. Durigan enfatizou que o Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos e comparou seu funcionamento com sistemas semelhantes existentes nos Estados Unidos, como o FedNow e o Zelle.

Além disso, Durigan ressaltou a importância de manter o diálogo com os EUA em um tom institucional, respeitoso e construtivo, evitando qualquer tipo de interferência indevida nas políticas brasileiras. Essa abordagem é particularmente significativa em um momento em que o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento digital no país desde seu lançamento pelo Banco Central em 2020. Em 2025, o sistema registrou um expressivo volume de R$ 35,3 trilhões em transações, refletindo um crescimento robusto em relação ao ano anterior.

Na mesma entrevista, o ministro abordou outro tema relevante: o novo programa “Desenrola 2.0”, que visa a renegociação de dívidas e buscar soluções para cidadãos endividados. O foco será em dívidas bancárias recentes, enquanto o governo também estudará a criação de uma nova linha de crédito voltada para trabalhadores informais.

Por fim, Durigan sinalizou que aqueles que participarem do programa “Desenrola” estarão sujeitos a restrições, incluindo a proibição de apostas online por um ano, destacando uma abordagem mais rigorosa em relação ao endividamento e ao jogo. Essas iniciativas indicam um esforço do governo para estabilizar a economia enquanto preserva a integridade do sistema financeiro nacional.

Sair da versão mobile