Ministro da Fazenda alerta que designação de facções como terroristas pode encarecer serviços bancários e afetar sistema de pagamentos no Brasil.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou nesta segunda-feira as implicações da recente medida do governo dos Estados Unidos ao classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em entrevista ao SBT News, Durigan ponderou sobre os efeitos dessa classificação no sistema financeiro nacional, alertando que ela poderá resultar em um aumento significativo nos custos dos serviços bancários.

Durigan enfatizou que essa designação eleva a insegurança em relação ao sistema financeiro brasileiro, que poderá ser alvo de avaliações mais rigorosas por parte do governo americano. Ele explicou que os bancos e instituições financeiras, incluindo fintechs, terão que lidar com custos adicionais devido à necessidade de se protegerem de possíveis sanções. “Esses custos adicionais serão repassados aos consumidores, refletindo-se nas taxas bancárias, spreads e juros aplicados”, afirmou o ministro, destacando a preocupação das instituições financeiras com a possibilidade de o governo dos EUA identificar problemas relacionados a facções criminosas.

Na última sexta-feira, Durigan se reuniu com representantes de diversos setores da economia para discutir as possíveis repercussões dessa classificação. Sua principal preocupação gira em torno das avaliações que poderiam prejudicar o sistema bancário e, consequentemente, afetar o sistema de pagamentos, como o popular sistema de transferência instantânea, o Pix. Ele alertou que, caso o Departamento do Tesouroamericano decida impor sanções financeiras a alguma instituição, isso poderia inviabilizar serviços essenciais. “Se isso acontecer, imagine a situação de um cliente que precisa pagar uma conta e seu banco fica impossibilitado de operar o Pix”, declarou.

Além disso, o ministro anunciou sua intenção de buscar um diálogo com o governo dos Estados Unidos nesta semana, apontando que possui uma relação aberta com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. “Posso contatá-lo a qualquer momento, mas o Brasil não pode agir de forma submissa, implorando por uma conversa imediata. Esse contato ocorrerá quando eu reunir todas as informações necessárias”, afirmou Durigan.

A recente medida do governo americano, que ocorreu logo após uma reunião entre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o presidente Donald Trump, abre caminho para uma atuação mais contundente dos Estados Unidos no Brasil. Essa designação não só visa combater as facções criminosas, mas também poderá levar a investigações que atinjam empresas e indivíduos supostamente ligados a essas organizações. A situação requer atenção do governo brasileiro e do setor financeiro, que buscam formas de mitigar os impactos advindos dessa nova realidade.

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