Ministro argentino reafirma que governo Milei não romperá laços com Brasil, apesar de tensões e críticas ao presidente Lula durante convenção do PL.

Em meio a um cenário de crescente tensão diplomática, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, esclareceu, nesta quarta-feira, que o governo argentino não tem a intenção de romper as relações com o Brasil. A declaração do chanceler argentino vem em um momento delicado, exacerbado pela participação do presidente Javier Milei na convenção do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.

Quirno, em entrevista à rádio Mitre, sublinhou as diferenças ideológicas que marcam os governos de Milei e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que o atual governo argentino vê o mundo de forma “diferente”. Durante o evento do PL, Milei fez um discurso contundente, no qual não poupou críticas a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, a quem chamou de “lixo careca”. O presidente argentino declarou confiar em Flávio Bolsonaro como um bastião contra o socialismo, reiterando seu apoio à família Bolsonaro.

Esses episódios são parte de uma série de desavenças que, de acordo com Quirno, emergem das divergências políticas e ideológicas entre os dois líderes. Ele disse que, apesar de não haver uma ruptura nas relações, os recentes acontecimentos refletem um cenário complicado, que requer uma análise cuidadosa.

A resposta do governo brasileiro não tardou. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador brasileiro na Argentina, Marcelo Bitelli, para consultas, uma ação que revela a insatisfação do Brasil em relação às declarações do presidente argentino. Fontes próximas ao governo brasileiro indicam que a volta do embaixador ao cargo pode demorar, considerando a necessidade de monitorar novas manifestações do argentino, além das reações da população local.

Apesar das tensões, Lula optou por não confrontar diretamente Milei em suas declarações, utilizando ironia ao questionar: “Quem é esse cara?” A resposta reflete uma tentativa de desviar conflitos diretos, enquanto membros de sua equipe, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamaram o presidente argentino de “palhaço”, gerando críticas entre aliados que consideraram essa postura contraproducente.

A atmosfera entre os dois países, marcada por acusações e descontentamento, exige uma gestão diplomática cuidadosa, com ambos os lados vigilantes às reações e desdobramentos futuros.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo