As ações foram encaminhadas ao gabinete de Moraes por diferentes rotas dentro do sistema do STF. A primeira, apresentada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), foi distribuída pelo sorteio comum, uma prática usual da Corte para a seleção de relatores. A segunda, protocolada pela Federação Psol-Rede, foi direcionada automaticamente ao mesmo ministro por questões de prevenção, uma regra que visa concentrar análises de processos semelhantes em um único relator.
As duas ações questionam alterações importantes feitas na Lei de Execução Penal e no Código Penal, que introduzem novas diretrizes para a progressão de regime e a remição de pena, especificamente para aqueles condenados por crimes que atentam contra a democracia. Segundo os autores, a legislação favorece tratamentos executórios mais benevolentes para delitos que poderiam exigir maior rigor punitivo, permitindo que infratores políticos recebam penas mais brandas do que aqueles que cometem crimes violentos comuns.
Além disso, os autores das ações argumentam que a nova lei pode violar o princípio da individualização da pena, consagrado na Constituição. Eles sustentam que a punição deve levar em consideração a gravidade e as circunstâncias de cada caso, e não se basear em regras automáticas aplicáveis a todos os réus de maneira indistinta. A implementação de mecanismos automáticos para diminuição de penas e a facilidade na progressão de regime são vistos como preocupações centrais.
A promulgação da Lei da Dosimetria ocorreu após a derrubada do veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que levantou questionamentos sobre a forma como o tema foi debatido no Congresso. As entidades argumentam que a análise do veto foi superficial e que, com o veto pleno, não seria possível reviver apenas partes do projeto. Essa prática poderia ser vista como uma violação das normas constitucionais vigentes.
Por fim, as ações levantam também o ponto sobre a possível violação do princípio do bicameralismo, já que modificações significativas foram feitas pelo Senado sem que o projeto retornasse à Câmara dos Deputados para nova avaliação, o que pode ferir processos legislativos fundamentais. Com a apreciação dessas ações, o STF pode ter um papel crucial na definição da validade de um dos assuntos mais controversos do atual cenário político brasileiro.
