O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a gravidade da situação, enfatizando que cada ato de violência contra a mulher pode ser considerado um feminicídio em potencial. Em uma entrevista, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, comentou sobre o pacto e as iniciativas do governo destinadas a enfrentar a violência de gênero em diferentes esferas, como a física, social e digital.
Márcia Lopes caracteriza o feminicídio como um fenômeno arraigado na sociedade brasileira, profundamente ligado ao machismo e à cultura patriarcal. Ela acredita que um esforço individual de cada poder governamental não é suficiente, ressaltando que somente através de uma colaboração contínua e integrada é que se poderá responder à complexidade do problema. O pacto, que inclui oito objetivos principais, visa melhorar o julgamento dos casos de feminicídio e aprimorar as políticas públicas para proteger as mulheres.
Uma das principais dificuldades apontadas pela ministra é a resistência enfrentada por mulheres ao tentar registrar ocorrências de violência nas delegacias. Muitas vezes, essas instituições revelam despreparo ou até uma postura de relativização dos graves crimes. Para lidar com isso, Lopes defende a criação de uma rede de proteção efetiva, que integre diferentes instituições, como delegacias, Ministério Público e serviços de saúde.
O Ligue 180, uma ferramenta que já registrou mais de 691 mil chamadas em 2024, tem se mostrado crucial para acolher denúncias e orientar as vítimas. O aumento na confiança das mulheres nesse serviço evidencia a necessidade de um acolhimento adequado, fundamental para salvar vidas.
Além de abordar as formas tradicionais de violência, a ministra também destacou a expansão da Lei Maria da Penha para abranger novas categorias de violência, como a política e a digital, alertando que o ano eleitoral de 2026 trará à tona um aumento desses tipos de agressão, especialmente contra candidatas mulheres. A educação, segundo Lopes, deve ser um pilar fundamental na luta contra a violência, com a inserção do tema nos currículos escolares e a promoção de campanhas nos espaços públicos.
O fortalecimento dos direitos das mulheres e a efetiva mobilização da sociedade são essenciais para virar esse cenário. Em suas palavras, as mulheres estão preparadas para se fazer ouvir e ocupar seus espaços nos locais de decisão: “Nós somos a maioria do povo brasileiro, e temos a capacidade de decidir e eleger os nossos representantes.” Assim, a ministra reafirma que o combate à violência exigirá não apenas medidas legais, mas uma transformação cultural profunda que envolva todos os setores da sociedade.







