Ministra aponta desigualdade como raiz da desconfiança na democracia em seminário sobre desafios da América Latina e preparação para a COP30

Em um seminário realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), a ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, abordou questões críticas que ameaçam a democracia na América Latina, à luz de um recente relatório que examina a relação da população com o regime democrático na região. A discussão, que ocorreu às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), destacou que, entre 2008 e 2023, a confiança da população na democracia caiu significativamente. Dados do estudo revelam que aproximadamente metade dos entrevistados estaria disposta a aceitar regimes não democráticos se isso significasse a resolução de seus problemas.

Durante a abertura, Dweck e o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, discutiram o impacto de desafios globais, como a pandemia de COVID-19 e eventos climáticos extremos que devastaram áreas, como o Rio Grande do Sul. A ministra enfatizou a importância da COP30 como uma oportunidade para reforçar a implementação de acordos ambientais históricos e a necessidade de articulação interministerial para garantir investimentos nessa área.

O relatório “Estado, democracia e desigualdade: uma perspectiva latino-americana”, mediado por Dweck, contou com a participação de diversos especialistas, incluindo o cientista político Leonardo Avritzer e o professor Fernando Filgueira. Os estudiosos destacaram que a desigualdade social e a burocracia estatal afastam a população dos governos, criando um ambiente propenso à desconfiança. Avritzer lembrou que, mesmo com avanços democráticos, a região enfrenta grandes desafios relacionados à desigualdade e à inclusão social.

Os debates ressaltaram que, apesar de progressos, a América Latina continua a ser a região mais desigual do mundo, impactando diretamente a confiança no sistema político. Filgueira apontou que as desigualdades, especialmente de gênero, têm consequências significativas, contribuindo para o empobrecimento da população envelhecida na região.

O seminário refletiu preocupações sobre o futuro das democracias latino-americanas, evidenciando que as soluções para a desigualdade são essenciais para restaurar a confiança no sistema democrático. Sem um enfoque sério na igualdade social, as estruturas democráticas da região permanecem vulneráveis a descontentamentos e possíveis retrocessos.

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