No coração da acusação está um episódio específico ocorrido durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, válida pela Copa do Mundo. O promotor Paulo Binicheski, que lidera o caso, afirma que Fonseca teria recebido cerca de 30% das perdas dos apostadores que foram atraídos por ela para a plataforma. Binicheski argumenta que, em julho de 2026, quando a influenciadora contava com 56,7 milhões de seguidores no Instagram, ela divulgou conteúdo promocional sem deixar claro que se tratava de uma publicidade.
A investigação realizada pelo MPDFT incluiu a infiltração de servidores na plataforma de apostas, onde puderam monitorar o sistema e constataram o uso de e-mails promocionais com promessas enganosas de ganhos. A Promotoria de Defesa do Consumidor também registrou aproximadamente 42 mil reclamações contra a Blaze, evidenciando um cenário preocupante em relação ao tratamento dado aos apostadores.
O promotor enfatizou que as práticas de Virgínia Fonseca e da plataforma vão além da mera publicidade, sugerindo que a promoção de apostas, associada a uma falsa percepção de facilidade nos ganhos, pode levar ao comportamento compulsivo e resultar em perdas financeiras significativas para os consumidores.
A defesa de Virgínia Fonseca declarou que tomou conhecimento da ação por meio da imprensa e que as alegações serão contestadas durante o processo. O advogado Sanderson Mafra se manifestou, rebatendo acusações de conluio ou exploração predatória, enfatizando que a responsabilização civil deve ser baseada em evidências concretas, e não apenas em suposições relacionadas à sua popularidade.
Por sua vez, a plataforma Blaze posicionou-se afirmando que opera dentro da legalidade e das normas que regulamentam as apostas online. A empresa se comprometeu a fornecer os esclarecimentos necessários quando for oficialmente notificada sobre o andamento da ação judicial, destacando que suas operações são pautadas pelas melhores práticas do mercado, priorizando a segurança dos usuários e o jogo responsável. A crescente preocupação com a influência das mídias sociais e as práticas de apostas levanta novas questões éticas e legais, que merecem atenção e discussão ampla na sociedade.
