A arma emprestada pelo pai foi peça fundamental na conexão dos assassinatos a Albino Santos, sendo utilizada na identificação de dez homicídios por meio de exames balísticos, dos quais o acusado confessou ter cometido oito. Em seu depoimento, Albino revelou que realizava uma espécie de “trabalho de inteligência” antes das execuções, utilizando as redes sociais para monitorar suas vítimas. Elas eram escolhidas sem qualquer motivo aparente, apenas com base na facilidade de acesso e abordagem.
A delegada Tacyane Ribeiro explicou que Albino operava com métodos meticulosamente planejados: os ataques ocorriam sempre à noite, após as 23 horas, em locais estudados previamente pelo acusado, que apresentavam pouco movimento e, se possível, ausência de câmeras de segurança. Outro ponto em comum nos assassinatos é que todos eram executados a uma curta distância de sua residência, não mais que 850 metros, sempre com a precisão e frieza de três a quatro tiros na cabeça das vítimas.
Albino seguia um padrão detalhista: vestia-se inteiramente de preto, usava máscara e boné para evitar ser reconhecido. Segundo a delegada, o tempo dedicado ao planejamento de cada morte variava. Em um caso específico, a vítima foi monitorada por até seis meses, evidenciando a paciência e a organização do serial killer.
Durante os interrogatórios, Albino se mostrou distante de qualquer empatia ou remorso. Ele afirmava que suas vítimas eram um “câncer” para a sociedade, justificando seus atos sob uma distorcida visão de justiça e missão. A análise do celular e outros dispositivos pessoais de Albino não revela indicações de patologias que justificassem inimputabilidade; pelo contrário, ele demonstrou plena consciência de suas ações criminosas.
Em prisão desde setembro, Albino Santos está sob investigação por possíveis conexões com crimes ocorridos na área alta da cidade entre 2019 e 2020, quando ele ainda residia naquela região. A polícia planeja reabrir cerca de seis inquéritos para apurar as ligações com o serial killer. Entretanto, o perfil das vítimas desta nova investigação não coincide com as de suas últimas execuções, com a exceção de que estes crimes ocorreram geograficamente próximo à antiga residência de Albino.






