Milei justifica sua ruptura com a OMS com a necessidade de garantir maior autonomia nas decisões sobre políticas de saúde. Contudo, essa estratégia levanta preocupações sobre as consequências dessa ação, especialmente no que tange ao acesso a garantias e recursos que a OMS proporciona aos seus membros, como a assistência técnica para enfrentar crises de saúde pública. Especialistas no assunto apontam que a participação na OMS oferece significativos descontos nas compras de vacinas e medicamentos, o que poderia ser perdido com essa decisão.
Em uma análise sobre o tema, o doutor em sociologia Eric Cardin, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, destaca que a ação de Milei pode ser vista como um alinhamento ideológico explícito com o governo dos EUA. No entanto, essa direção pode resultar em desafios adicionais para a Argentina, que já enfrenta uma crise econômica. A falta de relevância geopolítica do país sugere que a proposta de negociar acordos bilaterais na área da saúde pode não ter o respaldo desejado.
Por outro lado, Beatriz Bandeira de Mello, especialista em relações internacionais, reflete que a decisão de Milei também representa uma estratégia consciente de se distanciar de parceiros europeus, que são significativos financiadores da OMS. Essa mudança pode limitar o acesso da Argentina a projetos de cooperação internacional e expertise científica, essenciais para o fortalecimento das políticas de saúde no país.
Além disso, a aproximação com os EUA não parece estar acompanhada de um planejamento estratégico sólido, o que deixa muitas incertezas sobre os benefícios reais desse alinhamento. Milei parece apostar que os recursos que antes eram destinados à OMS serão redirecionados para a Argentina, apenas pela sua proximidade ideológica com o governo americano. No entanto, essa estratégia, centrada em relações pessoais e momentâneas, pode se mostrar arriscada e insustentável a longo prazo.
Com isso, a saída da Argentina da OMS culmina em uma série de questionamentos sobre o futuro das políticas de saúde do país e suas relações internacionais, deixando claro que, na prática, a autonomia buscada pode esbarrar em limitações reais e complexidades do atual contexto global.
