México repudia EUA e Canadá por classificar narcotraficantes como terroristas e defende colaboração em vez de medidas punitivas para enfrentar o narcotráfico.

O governo mexicano se manifestou de forma contundente contra a recente proposta dos Estados Unidos e do Canadá de classificar os cartéis de narcotráfico como organizações terroristas. Em uma conferência de imprensa, a presidente Claudia Sheinbaum expressou sua rejeição a esta abordagem, afirmando que tal medida não contribuiria para a resolução do problema que envolve o tráfico de drogas e a crise crescente de fentanilo, particularmente nos EUA.

Sheinbaum destacou a importância de uma colaboração mais eficaz e respeitosa entre os países, que deve ser baseada no reconhecimento da soberania de cada nação. Ela argumentou que existiriam “muitas outras formas de colaboração” que poderiam ser exploradas, contrapondo-se à categorização dos cartéis como terroristas. A presidente enfatizou que o México também está comprometido a combater o narcotráfico, mas ressaltou que as discussões sobre segurança e controle de armas, que muitas vezes provêm dos Estados Unidos, precisam ser parte fundamental desse diálogo.

O contexto desta discussão não vem isolado, já que as relações entre essas nações têm sido marcadas por tensões tarifárias. Apenas alguns dias antes, Sheinbaum anunciou que, após conversações com o ex-presidente Donald Trump, foram suspensas tarifas de 25% sobre produtos mexicanos exportados para os EUA. A convenção incluiu um acordo para reforçar a fiscalização na fronteira e para coibir o tráfico de armas de alto poder, um ponto que foi destacado por ela como uma questão crítica a ser tratada nas mesas de negociações.

A questão das tarifas surge em meio a uma atmosfera de retaliação, onde a administração Trump havia imposto tarifas como resposta à alegada inadequação das ações dos governos mexicano e canadense para conter a entrada de imigrantes e drogas no território americano. A imposição de tarifas, que aumenta ainda mais as tensões entre as nações, foi uma tentativa de pressionar os dois países a adotarem medidas mais rigorosas diante da situação.

Claudia Sheinbaum e Trump concordaram em estabelecer grupos de trabalho focados em segurança e comércio, numa tentativa de promover um entendimento mais profundo e efetivo sobre como enfrentar as questões relacionadas ao narcotráfico e à segurança regional. Durante a conferência, a presidente mexicana não hesitou em questionar a origem das armas que abastecem os cartéis e a responsabilidade que os EUA têm nesse cenário.

Assim, o debate sobre a criminalização dos cartéis como organizações terroristas reflete não apenas o complexo relacionamento entre o México, os EUA e o Canadá, mas também a necessidade de estratégias integradas e respeitosas para enfrentar desafios que afetam profundamente a sociedade e a segurança de todos os envolvidos.

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