Lula, observando a situação atual do México, afirmou que deseja compartilhar suas experiências para que a história não se repita. Contudo, analistas políticos, como Rodrigo Gallo, enfatizam que as circunstâncias que cercam os protestos no México são diferentes das que ocorreram no Brasil. Até agora, as manifestações no México têm se concentrado em questões pontuais, com os participantes aproveitando a visibilidade da Copa do Mundo para pressionar o governo. Diferente do Brasil, onde essa pressão rapidamente se consolidou em uma insatisfação nacional abrangente, a atual onda de protestos no México não parece ter potencial para criar uma crise de governabilidade.
Eduardo Siqueira, professor emérito da Universidade de Massachusetts Boston, ressalta que o governo de Sheinbaum conta com um apoio popular mais sólido do que o de Dilma em seu segundo mandato. Ela é vista como uma continuidade da administração de Andrés Manuel López Obrador, que se destacou por seus programas sociais e postura contrária à austeridade. Além disso, a oposição mexicana não possui neste momento uma força coesa para mobilização em larga escala.
A análise de Gallo também inclui uma dimensão de estratégia regional. Com os dois países ocupando posições relevantes na América Latina, sua colaboração pode aumentar a força de negociação da região frente a potências como os Estados Unidos e a União Europeia. Portanto, a instabilidade no México não afetaria apenas o país, mas também a dinâmica de poder latino-americano.
Em um cenário em que a governabilidade mexicana se torne problemática, isso geraria consequências que ressoariam além de suas fronteiras, impactando tanto as relações regionais quanto as representações em fóruns internacionais. A vigilância sobre esses desenvolvimentos se torna crucial, à medida que a capacidade de articulação entre Brasil e México é testada em um contexto político global cada vez mais complexo.





