Metrô do Rio: Novas regras para vagões exclusivos femininos enfrentam resistência e desinformação entre passageiros

Na quarta-feira, em pleno horário de pico, uma passageira se encontrava imersa na leitura do livro “Ressalga”, de Bethânia Pires Amaro. Ela estava no vagão feminino do metrô, desfrutando de um momento de tranquilidade em meio à agitação urbana. Enquanto isso, outra jovem, consciente dos olhares indesejados que a cercavam, decidiu deixar apressadamente o vagão misto. Ao buscar refúgio no espaço reservado para mulheres, ela se sentia mais segura, protegida das importunações de três homens que a observavam.

No dia 23 de março, uma nova norma entrou em vigor no Rio de Janeiro, permitindo que os vagões exclusivamente femininos funcionassem sem restrições horárias no metrô e nos trens. Proposta pela presidência em exercício da Alerj, a medida visava aumentar a segurança das mulheres. No entanto, dois meses após sua implementação, a realidade nas composições ainda deixa a desejar. Muitos passageiros demonstram resistência à mudança, confundindo-se quanto à fiscalização e ao funcionamento da norma.

Nos trens da SuperVia, a informação sobre os vagões destinados às mulheres não é clara. Embora existam adesivos indicando a exclusividade, apenas um vagão pode estar em funcionamento a cada viagem. A estudante de Direito Lara Martins ficou surpresa ao descobrir que o vagão feminino em operação é sempre o mais distante do maquinista, e não ambos simultaneamente. “A mudança de legislação não trouxe resultados práticos”, lamentou.

O comportamento agressivo durante o embarque e desembarque é outro fator que afasta mulheres. Uma passageira de Duque de Caxias mencionou ter deixado de usar os trens por conta da falta de respeito, relatando já ter sido empurrada durante a correria. Para muitas, o vagão feminino é um alívio em meio ao caos, onde podem se sentir mais à vontade e até dedicar-se a atividades como leitura ou crochê.

Recentemente, um vídeo que mostra mulheres aproveitando esse espaço exclusivo se tornou viral nas redes sociais, ilustrando o contraste entre os ambientes do vagão feminino e do vagão misto, que geralmente é mais barulhento e tumultuado. Estrangeiras também compartilham experiências semelhantes, ressaltando o conforto que esse espaço oferece.

Entretanto, os desafios permanecem. Embora o governador tenha estabelecido normas para a fiscalização, a realidade é de descaso. Muitas mulheres ainda se deparam com homens nos vagões femininos sem que haja resposta eficiente das autoridades. A falta de conscientização sobre os direitos e regras vigentes resulta em situações de constrangimento, em que homens não hesitam em ignorar o aviso e se sentar, desafiando a autoridade.

A experiência cotidiana de diversas mulheres revela um quadro preocupante. Há relatos de assédio, descaso por parte de seguranças e a sensação de impotência diante da falta de fiscalização. Conforme uma passageira tornou claro, “além da falta de segurança, é frustrante perceber que tudo continua como antes, mesmo com novas regras”.

Na busca por um transporte mais seguro e respeitoso, mulheres continuam a lutar por seus direitos, cada vez mais conscientes da importância do espaço exclusivo, apesar dos desafios que ainda enfrentam no cotidiano.

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