Expansão da Linha 2-Verde do Metrô em São Paulo: Autorização para Extração de Água do Aquífero
A expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, um projeto que promete melhorar a mobilidade urbana na zona leste da cidade, recebeu um novo impulso com a autorização dada ao consórcio responsável pela obra para extrair água de um aquífero local. O consórcio, que atua na ampliação da linha de trens, poderá captar até 720 metros cúbicos de água por dia, usando essa fonte subterrânea durante o processo de construção.
A autorização emitida pela SP Águas tem validade de 12 meses e se refere a três pontos específicos, onde será possível retirar até 240 metros cúbicos diariamente de cada poço. Para se ter uma ideia do volume, essa quantidade equivale a aproximadamente uma piscina olímpica a cada três dias. As perfurações, que podem alcançar até 200 metros de profundidade, estão localizadas nas proximidades da futura Estação Penha, um dos novos pontos da linha.
Importante ressaltar que a água extraída não será utilizada para consumo humano, sendo exclusivamente destinada ao apoio das atividades operacionais do tunelador, um equipamento fundamental para a escavação das galerias. As informações foram publicadas no Diário Oficial, onde se detalha que a extração está prevista para respaldar a operação da tuneladora no trecho entre a Estação Penha e o Complexo Rapadura.
Contudo, as obras de expansão têm gerado preocupação entre os moradores da região. Recentemente, surgiram relatos de rachaduras em imóveis próximos às áreas de escavação. O Ministério Público de São Paulo recebeu reclamações e chegou a recomendar a suspensão das atividades. Apesar disso, a companhia responsável afirmou que disponibilizaria suporte às famílias afetadas, garantindo que todas as propriedades impactadas estariam sendo atendidas.
Em relação à extração do aquífero, o Metrô assegura que não existem riscos significativos para as edificações vizinhas, dado que o local já conta com poços em operação que, conforme a companhia, não causaram impactos nocivos. Avaliações continuarão a ser feitas ao longo do processo, verificando o volume disponível e possíveis alternativas de abastecimento.
O coordenador do Observatório dos Direitos à Água e ao Saneamento, Amauri Pollachi, considera a quantidade de água a ser retirada relativamente modesta, destacando que o volume equivale apenas a 0,08% do que é captado diariamente na cidade de São Paulo. Ele ressalta que extrações de água subterrânea são práticas comuns na capital, operadas por diversas instituições.
Pollachi também observa que a qualidade da água do aquífero pode não ser adequada para consumo direto, devido à contaminação em alguns locais. Assim, essa água deve ser tratada com cautela, e a captação autorizada se restringe a usos que não envolvem a saúde humana.
O debate em torno da utilização de recursos hídricos subterrâneos e as necessidades de infraestrutura na metrópole paulistana está cada vez mais em evidência, especialmente à luz dos desafios hídricos enfrentados na região. Ao longo dos últimos anos, as permissões para captação de água subterrânea cresceram, particularmente após a severa crise hídrica de 2014 e 2015.






