Uma das principais questões envolve a margem de manobra da proposta. O governo estipulou uma tolerância de 0,25% do PIB, permitindo que até R$ 36,6 bilhões em receitas possam ser ignorados, caso as expectativas de arrecadação não se concretizem. Isso implica que, na prática, o governo poderá continuar a gastar em níveis superiores à receita, resultando em pressão sobre a dívida pública nacional.
Importante ressaltar que a gestão atual optou por incluir 39,4% dos precatórios—dívidas judiciais reconhecidas pelo Estado—na fórmula do superávit, um número além do mínimo exigido pela Constituição. Essa estratégia visa minimizar os impactos negativos nas contas, mas também revela um padrão de exclusão de despesas que tem sido uma característica marcante do atual governo. Com isso, o volume de precatórios não contabilizados deve se manter em níveis semelhantes ao de 2026, evitando um agravamento da situação fiscal.
Além disso, o arcabouço fiscal introduzido pela gestão de Lula aciona pela primeira vez mecanismos de contenção, em resposta ao déficit previsto para 2025. As novas regras resultam em limitações de gastos, onde as despesas com pessoal poderão crescer apenas conforme a inflação acrescida de 0,6%. Igualmente, o governo tentará restringir a criação ou ampliação de benefícios fiscais, regras que afetarão todos os Poderes do Estado até que um superávit efetivo seja alcançado.
Em um cenário onde o próximo presidente poderá revisar essa estrutura, o governo trabalha para garantir que as despesas com precatórios e projetos nas áreas de defesa, saúde e educação sejam contabilizadas de maneira a viabilizar a recuperação fiscal do país, enfrentando assim um complexo panorama econômico que exige prudência e estratégia.
