O presidente paraguaio, Santiago Peña, abriu os trabalhos enfatizando a importância de celebrar a amizade e a integração entre as nações do Mercosul. Ele expressou sua satisfação com os avanços alcançados, mas também destacou a insatisfação com o que ainda pode ser feito: “Obtivemos progressos, mas a vontade de fazer mais é evidente”. Peña também defendeu a adesão de países associados, como Equador e Chile, ao Mercosul, valorizando a recente inclusão da Bolívia.
No âmbito internacional, o presidente paraguaio abordou a necessidade de reformas no acordo com a União Europeia, salientando a posição de seu país sobre as assimetrias que a geografia impõe. Ele pediu um tratamento diferenciado para o Paraguai, que, sendo um país sem acesso ao mar, enfrenta desafios que devem ser superados como questão de justiça. Peña reiterou que “o Mercosul deve permitir que o Paraguai cresça”.
Além disso, a cúpula anunciou o início de negociações para um acordo de livre comércio com o Japão, que pode fortalecer a conexão do Mercosul com mercados asiáticos. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, elogiou a iniciativa e apontou a necessidade de uma integração energética mais robusta, ao mesmo tempo que destacou a importância do sistema de pagamentos Pix como modelo para futuras infraestruturas de pagamento no bloco.
O foco na segurança e na luta contra o crime organizado, especialmente na região amazônica, também foi uma prioridade. Lula anunciou um financiamento para a presença de delegados da Interpol em Buenos Aires, mostrando comprometimento na cooperação regional para enfrentar essas questões.
As preocupações com a instabilidade política na Bolívia também foram mencionadas. O presidente boliviano, Rodrigo Paz, pediu apoio contra os desafios que o país enfrenta em meio a protestos sociais impulsionados por grupos extremistas.
Com a assinatura de novos acordos e um aporte significativo de US$ 100 milhões para o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), o encontro reforçou a visão de um bloco que busca aumentar sua relevância no cenário internacional, ao mesmo tempo que promove maior justiça entre seus membros. A ênfase no diálogo e na colaboração como instrumentos para enfrentar crises e expandir parcerias comerciais foi um dos legados mais relevantes dessa cúpula histórica.
