Vieira enfatizou que, apesar de o Mercosul celebrar avanços significativos em termos de acordos comerciais e crescimento das exportações – que saltaram de US$ 4,5 bilhões em 1991 para cerca de US$ 51 bilhões em 2025 – há movimentos internos que ameaçam a unidade do bloco, como iniciativas unilaterais por parte de alguns de seus membros. Essas ações, segundo o chanceler, não apenas prejudicam a Tarifa Externa Comum (TEC), mas também colocam em risco o próprio espírito do Tratado de Assunção.
O ministro criticou negociações externas conduzidas sem a coordenação e alinhamento necessários dentro do Mercosul, alertando que tal postura envia uma mensagem negativa para parceiros internacionais. “Essas iniciativas não estão em consonância com as decisões que determinam negociações em conjunto”, afirmou, ressaltando que a atuação segmentada diminui a credibilidade do bloco diante de outros países.
Vieira também anunciou que a cúpula formalizará a abertura das negociações para um acordo comercial com o Japão e destacou a expectativa de finalizar tratativas com o Canadá ainda este ano. O Brasil destinará US$ 100 milhões anuais para o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM), cuja nova etapa deve incluir a Bolívia como beneficiária. Ele pediu também que outros membros do Mercosul ampliem suas contribuições financeiras.
Em sua fala, o ministro ainda defendeu a importância da integração fronteiriça, da digitalização de serviços públicos e da construção de uma infraestrutura que favoreça a industrialização regional, principalmente em setores estratégicos. Ao final, Vieira lembrou que a opção pelo isolamento, em um contexto global de crescente protecionismo, já não é viável para os países da região, conclamando à unidade e cooperação.
