Esta emissão representa a quarta vez que o Mercado Livre recorre ao mercado público para levantar recursos com este tipo de investimento. A estratégia reflete um movimento contínuo da companhia em diversificar suas fontes de financiamento de longo prazo, visando sustentar a expansão de seu braço financeiro, o Mercado Crédito. Empresas semelhantes, como PagBank, Agibank e Banco Inter, têm adotado abordagens semelhantes para fortalecer suas operações.
A operação foi coordenada por instituições financeiras renomadas, incluindo Itaú BBA, UBS BB e Santander, em parceria com o Mercado Crédito Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento. A primeira série da emissão, contabilizando R$ 1,066 bilhão, terá um prazo de dois anos com remuneração atrelada ao CDI mais 0,39% ao ano. Já a segunda série, que captura R$ 434 milhões, vence em três anos, oferecendo CDI mais 0,47% ao ano.
De acordo com o Mercado Livre, a captação contou com 30 propostas de instituições bancárias e gestoras de recursos, resultando na participação ativa de 21 investidores na alocação do montante. Importante destacar que essa operação resulta em um custo de captação mais econômico em relação à emissão anterior, conforme explicou Lourenço Cassandre, diretor sênior de tesouraria do Mercado Livre e Mercado Pago no Brasil. Ele ressaltou que essa manobra não só amplia as fontes de funding, como fortalece a capacidade da empresa em atender à crescente demanda por serviços financeiros no Brasil.
Os recursos angariados estão destinados à expansão das operações financeiras da empresa, especialmente para atender à crescente demanda por soluções de crédito, pagamentos e investimentos no país. Nesse contexto, o Mercado Livre se insere em uma tendência mais ampla de fintechs e bancos digitais que vem se distanciando da dependência de capital de risco, FIDCs e securitizações. Essas empresas estão começando a utilizar instrumentos financeiros tradicionalmente empregados por bancos para financiar suas expansões.
As Letras Financeiras, com prazo mínimo de dois anos, se apresentam como uma opção atrativa para alinhar o vencimento do capital ao perfil da carteira de crédito das instituições. Este ano, o PagBank completou sua terceira emissão pública de LFs, captando R$ 1,07 bilhão, enquanto o Agibank realizou sua sétima emissão, arrecadando R$ 500 milhões. Além disso, o Banco Inter anunciou recentemente uma emissão privada de R$ 300 milhões em Letras Financeiras Subordinadas, destinados a investidores profissionais, com o objetivo de reforçar sua estrutura de capital e elevar seu Índice de Basileia.
