O preço do aluguel residencial no Brasil acumulou alta média de 9,44% ao longo de 2025, segundo dados do Índice FipeZAP de locação residencial, divulgados nesta quinta-feira (15). Apesar de o avanço ter sido menor que o registrado nos três anos anteriores — 16,55% em 2022, 16,16% em 2023 e 13,50% em 2024 —, a variação ficou bem acima da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que fechou o ano passado em 4,26%.
Entre as capitais, Maceió aparece em posição de destaque no ranking nacional, ocupando o 10º lugar entre as cidades com maior variação anual no preço do aluguel, com alta de 12,22%. O desempenho reforça a pressão já observada no mercado imobiliário local, em uma capital que também registra o metro quadrado mais caro do Nordeste para venda de imóveis.
A valorização dos aluguéis em Maceió superou a registrada em capitais como Curitiba (10,98%), Rio de Janeiro (10,87%), Porto Alegre (9,38%), São Paulo (7,98%) e Brasília (6,41%). Segundo especialistas do setor, o movimento de alta na capital alagoana vem sendo observado de forma contínua desde 2018 e ganhou força após a evacuação de bairros inteiros afetados pelo afundamento do solo causado pela extração irregular de sal-gema pela Braskem.
O desastre provocou a destruição de cerca de 15 mil imóveis residenciais e comerciais, forçando a migração de milhares de famílias para outras áreas da cidade. Esse deslocamento reduziu a oferta de imóveis disponíveis e contribuiu para a supervalorização dos preços no mercado de locação.
De acordo com o FipeZAP, o impacto do aumento foi mais significativo para quem busca imóveis maiores. As unidades com três dormitórios registraram alta média de 10,19% em 2025, enquanto os imóveis de dois quartos tiveram elevação de 9,19%. No panorama nacional, os preços de aluguel subiram em 34 das 36 localidades monitoradas pelo índice, incluindo 21 das 22 capitais brasileiras.
Teresina liderou o ranking de valorização, com alta expressiva de 21,81%, seguida por Belém (17,62%) e Aracaju (16,73%). Já Campo Grande foi a única capital a apresentar queda no período, com recuo de 4,36%.
O levantamento também mostra que o aluguel subiu mais do que o preço médio de venda de imóveis residenciais, que teve alta de 6,52% no acumulado de 2025. O dado reforça a percepção de que a locação tem pesado cada vez mais no orçamento das famílias, especialmente nas capitais com maior pressão sobre a oferta de moradias.
