As mensagens são notáveis por mostrar a organização interna da quadrilha, que estabelece diretrizes rigorosas para o reporte de vendas. Os gerentes, sob a orientação de Breno, um dos líderes do tráfico, são responsáveis por detalhar a quantidade e o tipo de drogas vendidas, além de indicar a pesagem e o valor das mercadorias. Em um dos registros, Breno enfatiza a importância da precisão nos relatórios, alertando seus subordinados sobre a necessidade de enviar informações padronizadas para garantir uma melhor monitoramento das finanças.
Os pontos de venda, referidos como “firmas”, têm nomes peculiares como Vento, Vasco, e Mercado, enquanto os usuários são chamados de “fregueses”. A linguagem utilizada pelo grupo, repleta de gírias e siglas, mostra não apenas a tentativa de despistar as autoridades, mas também o modo como a atividade criminosa é tratada como um negócio, onde o volume total de vendas é denominado de “camisas choradas”.
A dinâmica interna também se revela por meio da relação de disciplina e vigilância do grupo, onde quaisquer falhas nos relatórios podem resultar em penalizações severas. A hierarquia é evidente, com Breno atuando como figura central na coordenação das vendas e na vigilância contra policiamento.
A investigação ainda revela um clima de temor e intimidação, especialmente após a morte de Breno. Seu desaparecimento gerou um alarde na comunidade e culminou em uma celebração macabra por parte de traficantes, evidenciada por fotos que circulavam nas redes sociais, onde membros do tráfico comemoravam após um incêndio em um ferro-velho pertencente a ele.
Atualmente, o caso é tratado pela polícia como um homicídio, com buscas pelo corpo do jovem, que, segundo denunciantes, é tratado como uma vítima de “tribunal do tráfico”. A situação evidencia o ciclo de violência e a desumanização que permeia o cotidiano nas comunidades afetadas pelo tráfico.
