Mensagens Revelam Estrutura do Tráfico na Cidade de Deus: Controle Rigoroso e Celebração pela Morte de Gerente em Grupo de WhatsApp

Um recente levantamento de mais de 2.300 mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp de gerentes do tráfico nas favelas do Comando Vermelho expôs a complexa rotina de funcionamento e estrutura das bocas de fumo, revelando como a criminalidade se organiza e mantém controle nas comunidades. O material, obtido por meio de investigações, detalha o intercâmbio de informações sobre as vendas em pelo menos dez pontos de venda de drogas na Cidade de Deus. De acordo com os dados, os gerentes das bocas de fumo realizavam relatórios minuciosos tanto pela manhã quanto à noite, em momentos de troca de “plantão”.

As mensagens são notáveis por mostrar a organização interna da quadrilha, que estabelece diretrizes rigorosas para o reporte de vendas. Os gerentes, sob a orientação de Breno, um dos líderes do tráfico, são responsáveis por detalhar a quantidade e o tipo de drogas vendidas, além de indicar a pesagem e o valor das mercadorias. Em um dos registros, Breno enfatiza a importância da precisão nos relatórios, alertando seus subordinados sobre a necessidade de enviar informações padronizadas para garantir uma melhor monitoramento das finanças.

Os pontos de venda, referidos como “firmas”, têm nomes peculiares como Vento, Vasco, e Mercado, enquanto os usuários são chamados de “fregueses”. A linguagem utilizada pelo grupo, repleta de gírias e siglas, mostra não apenas a tentativa de despistar as autoridades, mas também o modo como a atividade criminosa é tratada como um negócio, onde o volume total de vendas é denominado de “camisas choradas”.

A dinâmica interna também se revela por meio da relação de disciplina e vigilância do grupo, onde quaisquer falhas nos relatórios podem resultar em penalizações severas. A hierarquia é evidente, com Breno atuando como figura central na coordenação das vendas e na vigilância contra policiamento.

A investigação ainda revela um clima de temor e intimidação, especialmente após a morte de Breno. Seu desaparecimento gerou um alarde na comunidade e culminou em uma celebração macabra por parte de traficantes, evidenciada por fotos que circulavam nas redes sociais, onde membros do tráfico comemoravam após um incêndio em um ferro-velho pertencente a ele.

Atualmente, o caso é tratado pela polícia como um homicídio, com buscas pelo corpo do jovem, que, segundo denunciantes, é tratado como uma vítima de “tribunal do tráfico”. A situação evidencia o ciclo de violência e a desumanização que permeia o cotidiano nas comunidades afetadas pelo tráfico.

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