São Félix do Xingu, no Pará, lidera o triste ranking das cidades mais afetadas, acumulando 6.474 focos de fogo. Em seguida, figura Altamira, também no Pará, com 5.250 pontos de queimadas. Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e Novo Progresso, no Pará, registram 4.736 e 4.598 focos, respectivamente. A cidade de Apuí, no Amazonas, contabiliza 4.308 incêndios, enquanto Lábrea, ainda no Amazonas, apresenta 3.723 focos. Itaituba, no Pará, acumula 2.973 incidências, Porto Velho, em Rondônia, tem 2.710, Colniza, no Mato Grosso, conta com 2.277, e Novo Aripuanã, no Amazonas, registra 2.198 focos de incêndio.
A vasta maioria das cidades mencionadas está situada na Amazônia, com a única exceção sendo Corumbá, que é a porta de entrada para o Pantanal. Esse fato chama a atenção de Beto Mesquita, membro do Grupo Estratégico da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Ele ressalta a concentração dos focos de calor na Amazônia, apesar dos incêndios também significativos no Cerrado.
Mesquita também destaca que sete das dez cidades mais afetadas pelas queimadas são aquelas que lideram o ranking de desmatamento em 2023, segundo o sistema Prodes, do Inpe. Essas cidades incluem Altamira, Corumbá, São Félix do Xingu, Porto Velho, Apuí, Lábrea e Colniza. “Isso mostra que essas áreas estão sendo queimadas para a consolidação do desmatamento. Há uma relação muito clara”, enfatiza.
Ele acrescenta que, em algumas regiões, o fogo tem sido utilizado como uma nova ferramenta de degradação, possivelmente para escapar dos sensores remotos que identificam atividades de desmatamento. A abertura de novas áreas obstrui a detecção de extração de madeira de alto valor, por exemplo. Esse é um desafio significativo para os governos federal e estaduais, os quais necessitam compreender melhor essas dinâmicas a fim de desenvolver estratégias adequadas de combate, fiscalização e conservação.
Os incêndios florestais, ao lado do desmatamento descontrolado, formam uma combinação explosiva que não apenas ameaça a biodiversidade local, mas também tem implicações globais, afetando o clima e a capacidade de absorção de CO2 pela floresta. A situação exige ações urgentes e eficazes por parte das autoridades competentes para mitigar os danos ambientais e preservar os ecossistemas.







