Medida do MEC sobre celulares em escolas mostra 66% das instituições aplicando sanções e 92% dos gestores afirmam que lei já está em vigor.

Uma investigação realizada pelo Ministério da Educação (MEC) revelou que a maioria das escolas brasileiras tem adotado medidas para regulamentar o uso de celulares entre os alunos. A pesquisa, divulgada recentemente, coletou dados de diretores de instituições de educação básica e revelou que 66% das escolas implementaram sanções para a violação das normas, enquanto 62% decidiram que os aparelhos devem ser guardados nas mochilas dos estudantes.

Este levantamento visa marcar um ano desde a promulgação da lei que proíbe o uso de celulares para fins não pedagógicos nas escolas. A iniciativa foi realizada em parceria com a Secretaria de Educação Básica do MEC, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e com o apoio da Unesco. Embora a pesquisa não tenha detalhado os tipos de punições impostas, normalmente, as instituições estabelecem regras como a retenção dos dispositivos e advertências para reincidências.

Os números indicam que 92% dos gestores afirmam que a nova legislação já está sendo aplicada em suas instituições. Destes, 45% consideram que a implementação está consolidada, enquanto 47% vêem progresso, apesar de enfrentarem desafios. Entre as práticas adotadas, 33% das escolas coletam os aparelhos na secretaria ou recepção, e 21% permitem que os estudantes mantenham os celulares em sua posse direta.

Os resultados da pesquisa são encorajadores: 97% dos diretores concordam que as novas regras têm ajudado a aumentar a participação dos alunos nas atividades pedagógicas, e 95% afirmam que isso também melhorou a concentração nas aulas. Além disso, a maioria dos diretores acredita que as restrições promoveram interações sociais mais eficazes entre os alunos e contribuíram para a diminuição de conflitos e agressões, tanto digitais quanto físicas.

Por outro lado, os desafios ainda são significativos. Quase 40% dos diretores apontaram dificuldades na aceitação dos alunos às novas regras e na infraestrutura necessária para armazenar os dispositivos. A pesquisa, que ouviu 8.189 escolas em todo o Brasil, também identificou que a restrição ao uso dos celulares não tem diminuído as atividades pedagógicas que envolvem tecnologias digitais; na verdade, 51% das escolas públicas relataram um aumento nas ações de educação digital.

Por fim, a pesquisa não apenas reflete a realidade dos gestores educacionais, mas também evidencia o potencial de evolução das práticas pedagógicas diante do uso responsável da tecnologia nas escolas. Os dados relacionados aos professores ainda serão divulgados, prometendo contribuir de forma adicional para a discussão sobre esse tema crucial no ambiente educacional.

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