A revelação do teor do projeto veio à tona em uma série de reportagens intitulada Mundo da Dor, fruto de uma colaboração entre o Metrópoles e outros dez veículos de comunicação, incluindo o site americano The Examination e a renomada revista alemã Der Spiegel. A investigação aponta que a Mundipharma, empresa ligada à Purdue Pharma, reproduz no Brasil as mesmas práticas que resultaram na grave crise dos opioides nos Estados Unidos.
O anestesiologista Barros, considerado um médico “formador de opinião” pela Mundipharma, afirmou ter recebido pagamento da empresa pela elaboração do projeto de lei, o qual visa expandir o tratamento da dor crônica no Brasil. Além disso, a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor, da qual Barros é presidente, recebeu vultosas quantias da Mundipharma para promover o uso de opioides no país.
Especialistas ouvidos pela coluna apontam que a aprovação do projeto de lei proposto por Barros poderia resultar em um aumento significativo na circulação de opioides no Brasil. Diante das críticas e preocupações levantadas, a deputada Bia Kicis defendeu a proposta, alegando que o foco principal é o alívio do sofrimento das pessoas, mas ressaltou que o projeto passará por um período de discussão na CCJ, com a realização de audiências públicas.
Em contrapartida, Barros ponderou que o controle sobre substâncias como a oxicodona deveria ser mais rígido por parte da Anvisa, órgão regulador brasileiro. Ele também destacou a importância de uma orientação mais adequada aos médicos no manejo e reconhecimento do uso abusivo de opioides, visando evitar uma crise semelhante à que assola os Estados Unidos.
Com casos de dependência química e mortes ligadas ao uso indiscriminado de opioides nos EUA, a discussão em torno da proposta de lei de Kicis e Barros ganha contornos de extrema relevância e urgência. A população aguarda por esclarecimentos e medidas que garantam a segurança e eficácia do tratamento da dor crônica no Brasil, sem correr o risco de repetir erros cometidos em solo americano.
