Desenvolvida pela Eli Lilly — também responsável pela criação do Mounjaro —, a retatrutida ainda está em fase experimental. Os estudos de fase três, que são cruciais para validar a eficácia e segurança de medicamentos, estão sendo finalizados, e a substância não passou ainda pelo crivo das agências reguladoras. Portanto, sua comercialização não está autorizada até que a aprovação oficial aconteça.
Os dados novos, divulgados pela Eli Lilly, fazem parte do estudo TRIUMPH-1, o qual contou com 2.239 participantes que lidam com sobrepeso ou obesidade associada a outras comorbidades. Os indivíduos foram divididos em quatro grupos, sendo que três deles receberam doses diferentes do medicamento, administradas de forma semanal: 4 mg, 9 mg e 12 mg. O outro grupo recebeu um placebo. A alocação dos participantes foi feita aleatoriamente para garantir a imparcialidade dos resultados.
Após 80 semanas de acompanhamento, os participantes que tomaram a menor dose perderam, em média, 19% do peso corporal, o equivalente a 21,4 kg. Na dose intermediária, a perda de peso foi de 25,9%, ou 29,2 kg. Já a dose máxima levou a uma diminuição de 28,3% do peso, o que se traduziu em 31,9 kg. Para efeito de comparação, a dose máxima do Mounjaro, de 15 mg, resultou em uma perda média de 25,3% após um período de 88 semanas.
Kenneth Custer, vice-presidente da Eli Lilly, ressalta o potencial da retatrutida para oferecer uma abordagem centrada no paciente no tratamento da obesidade, visto que os resultados se assemelham a aqueles da cirurgia bariátrica.
Essencialmente, a retatrutida representa uma nova geração de fármacos antiobesidade, com uma atuação mais ampla do que os medicamentos anteriores. Pertencente à classe dos análogos de GLP-1, a nova molécula não apenas simula a produção do hormônio GLP-1, mas também age em outros hormônios essenciais, como o GIP e o glucagon. Isso resulta em um efeito mais significativo na perda de peso.
Neste estudo, mais de 65% dos participantes que tomaram a dose mais alta tiveram um índice de massa corporal (IMC) inferior a 30 após os testes, saindo da classificação de obesidade, incluindo 37,5% que inicialmente eram considerados obesos classe 3. Além da redução de peso, o tratamento também trouxe melhorias em medidas como circunferência da cintura e redução de colesterol e triglicerídeos.
Ainda há continuidade dos estudos, que incluem participantes com IMC maior ou igual a 35, e os dados mostram que a perda média de peso nesse grupo atingiu 30,3%, ou 38,5 kg. Os efeitos adversos da retatrutida foram considerados seguros, sendo os mais comuns náuseas e diarreia, com incidências de 42,4% e 32%, respectivamente.
Esses resultados foram apresentados na 86ª Sessão Científica Anual da Associação Americana de Diabetes e devem ser publicados em revistas científicas revisadas por pares, contribuindo assim para o avanço no entendimento e tratamento da obesidade, uma condição crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
